Ao menos 30 pessoas foram presas no último domingo (29) no centro de Istambul, na Turquia, durante uma tentativa de realização da Parada do Orgulho LGBTQIA+. A manifestação foi impedida pela polícia e duramente reprimida. A marcha havia sido considerada ilegal pelas autoridades locais, que mantêm uma proibição oficial sobre eventos do tipo na cidade desde 2015.
Segundo imagens veiculadas por agências internacionais, como a Reuters, policiais agiram com rapidez para dispersar pequenos grupos que tentavam se reunir no centro da capital econômica do país, empunhando bandeiras do arco-íris — símbolo internacional da luta pelos direitos LGBTQIA+. Os manifestantes foram abordados com violência, detidos e levados em veículos oficiais.
A deputada Kezban Konukcu, do Partido Dem — legenda pró-curda que defende pautas sociais e de direitos civis —, estava presente na manifestação e afirmou que pelo menos 30 pessoas foram presas. Até o momento, as autoridades de segurança de Istambul não emitiram comunicado oficial confirmando o número de detenções.
Proibição e repressão crescente
A Parada do Orgulho foi oficialmente proibida pelas autoridades de Istambul desde 2015. O governo alega motivos de segurança pública para a decisão, embora ativistas e organizações internacionais apontem motivações políticas e ideológicas, relacionadas ao avanço do conservadorismo religioso e nacionalista no país.
O atual governo turco, liderado pelo presidente Recep Tayyip Erdogan e seu partido, o AKP (Partido da Justiça e Desenvolvimento), de raízes islâmicas, tem adotado uma retórica cada vez mais hostil à população LGBTQIA+ nos últimos anos. Durante a última década, o discurso político oficial passou a retratar a diversidade de gênero e orientação sexual como ameaças aos “valores tradicionais da família turca”.
A repressão a eventos ligados ao movimento LGBTQIA+ tornou-se uma prática comum, com detenções frequentes, censura de manifestações culturais e até proibições em universidades. Marchas do Orgulho, que no passado chegaram a reunir dezenas de milhares de pessoas pacificamente em Istambul, hoje são impedidas antes mesmo de começar.
Vozes de resistência
Apesar da forte repressão, ativistas e parlamentares ligados a partidos progressistas seguem desafiando as proibições e participando das manifestações em defesa dos direitos LGBTQIA+ no país. Em entrevista à agência Reuters, a deputada Kezban Konukcu declarou que a mobilização continuará mesmo diante da repressão.
“Não se trata apenas de uma marcha. É sobre garantir o direito à existência e à dignidade de uma parte da população que tem sido sistematicamente marginalizada pelo Estado”, afirmou a parlamentar.
Internacionalmente, a repressão tem gerado críticas de organizações como Anistia Internacional e Human Rights Watch, que denunciam o retrocesso nos direitos civis e humanos na Turquia, especialmente no que diz respeito à liberdade de expressão, identidade de gênero e orientação sexual.
Contraste internacional
Enquanto cidades como Nova York, Berlim e São Paulo realizam Paradas do Orgulho com milhões de participantes em clima de festa e visibilidade, em Istambul a cena é de tensão, silêncio forçado e ações policiais. O contraste ilustra as disparidades nos avanços e retrocessos dos direitos LGBTQIA+ em diferentes partes do mundo.
Em países onde a diversidade é celebrada, a Parada do Orgulho representa conquistas sociais, políticas e legais. Na Turquia, tornou-se um símbolo de resistência e enfrentamento a um regime cada vez mais autoritário e conservador.
A expectativa dos ativistas é que a visibilidade internacional continue pressionando o governo turco e fortalecendo a solidariedade com a comunidade LGBTQIA+ do país, que, mesmo sob repressão, segue lutando pelo direito de existir, se expressar e ocupar espaços públicos com liberdade.





