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Aumento no preço dos ovos: impactos econômicos e desafios para as famílias brasileiras

Imagem: Freepik

Nas últimas semanas, os brasileiros foram surpreendidos com uma elevação considerável no preço dos ovos, um dos alimentos mais consumidos no país e, tradicionalmente, uma alternativa acessível às proteínas mais caras, como as carnes vermelhas. Segundo levantamento realizado pela Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), o custo do ovo subiu até 50% em algumas regiões do Brasil. Esse aumento, que impacta diretamente o orçamento de muitas famílias, ocorre em meio a uma série de fatores, tanto locais quanto globais, que alteram a dinâmica do mercado alimentício.

De acordo com a ABRAS, a valorização dos preços se intensificou a partir da segunda quinzena de janeiro de 2025, em um cenário já marcado por altos custos de produção. Entre os elementos que contribuem para essa elevação estão a alta nos preços da ração, que afeta diretamente o valor de fabricação dos ovos, e a demanda sazonal devido à proximidade da Quaresma, período tradicionalmente associado à diminuição do consumo de carne vermelha. “As empresas iniciaram a programação de abastecimento das lojas para atender à demanda sazonal da Quaresma, mas a limitação na oferta e os aumentos contínuos de preços geram preocupações nos supermercados. Além disso, os consumidores também têm optado mais pelos ovos de galinha devido ao encarecimento das demais proteínas”, explicou Marcio Milan, vice-presidente da ABRAS.

O valor de uma caixa com 30 dúzias de ovos brancos, por exemplo, chegou a R$ 233,55 em fevereiro de 2025, representando uma alta de 37,9% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Já a caixa de ovos vermelhos passou a ser vendida por R$ 264,21, um acréscimo de 40,8%. Esses reajustes são um reflexo de uma cadeia produtiva que enfrenta desafios, como a escassez de insumos e a crise no fornecimento, agravada por uma série de fatores climáticos e sanitários.

Fatores internos e externos 

Esse panorama de elevação no preço dos ovos no Brasil não é exclusivo do país. Em diversos locais ao redor do mundo, o aumento no custo do produto tem sido uma preocupação. Nos Estados Unidos, por exemplo, o valor do item subiu de forma significativa devido a surtos de gripe aviária que afetaram a produção de ovos em várias regiões. Em alguns estados, os consumidores enfrentam prateleiras vazias e uma alta de até 15% no preço dos ovos em apenas um mês, situação que gerou críticas tanto de economistas quanto de políticos. O presidente Donald Trump, durante sua campanha, usou o aumento do preço dos ovos como um dos exemplos da inflação descontrolada no governo de Joe Biden.

Esse quadro internacional de escassez também reflete as dificuldades de uma cadeia de abastecimento que, após a pandemia de COVID-19, ainda não se estabilizou completamente. No Brasil, o impacto é sentido diretamente pelas famílias de menor poder aquisitivo, que dependem de alimentos como o ovo para complementar sua alimentação diária. Com o aumento do preço do ovo, muitas dessas famílias têm enfrentado dificuldades em manter uma dieta equilibrada, já que o produto era uma das opções mais acessíveis de proteína.

Entidades da sociedade civil, como a Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (ABONG) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), têm alertado sobre os efeitos sociais dessa elevação. Elas defendem a implementação de políticas públicas que possam amenizar as consequências da alta nos preços dos alimentos, como o aumento das transferências de renda e o fortalecimento de programas de apoio à agricultura familiar. A ABONG, por exemplo, afirma que o aumento no preço dos ovos reflete uma desigualdade crescente na distribuição de alimentos e pede uma maior regulação do mercado alimentício, para garantir o acesso de todos aos produtos essenciais.

A escalada no preço dos ovos também gerou um posicionamento da própria ABRAS, que, além de destacar a preocupação com a escassez, sugere que é fundamental haver maior transparência nos processos de formação de preços e na comunicação entre os produtores e os supermercados. A associação defende ainda que, diante da situação, é importante criar estratégias que possam ajudar a estabilizar o mercado, especialmente em momentos de demanda sazonal, como a Quaresma, quando o consumo de ovos aumenta substancialmente.

Com o aumento dos custos, surge a necessidade de repensar o modelo de produção e distribuição de alimentos no Brasil. Especialistas apontam que uma maior eficiência nas cadeias produtivas, a diversificação das fontes de proteína e o investimento em tecnologias sustentáveis podem ser soluções importantes para garantir a segurança alimentar do país. Além disso, a busca por alternativas ao modelo de produção industrial, que depende fortemente de insumos importados e de grandes concentrações de produção, também pode contribuir para a estabilidade dos preços.

O aumento no custo dos ovos é apenas um reflexo de um cenário mais amplo de inflação e desafios econômicos que afetam a população brasileira. As famílias mais vulneráveis, que já enfrentam dificuldades para acessar alimentos básicos, são as mais impactadas. Para elas, o ovo não é apenas uma fonte de proteína, mas uma alternativa mais barata em relação a outras opções de carne. O impacto dessa elevação se reflete diretamente na qualidade de vida e na segurança alimentar dessas famílias, que buscam alternativas para garantir uma alimentação adequada em tempos de dificuldades econômicas.

Editor Sucesso