Gene Hackman, o icônico ator que conquistou dois prêmios Oscar durante mais de 60 anos de carreira no cinema, faleceu em sua casa em Santa Fé, Novo México, no dia 26 de fevereiro de 2025. O ator, que tinha 95 anos, estava acompanhado de sua esposa, a pianista Betsy Arakawa, de 64 anos, e do cachorro do casal. As autoridades locais confirmaram que os corpos de Hackman e de Arakawa foram encontrados por volta das 13h45. Embora a causa da morte ainda não tenha sido determinada, a polícia do condado de Santa Fé afirmou em um comunicado que não há indícios de crime envolvido, e que a investigação segue em andamento.
Gene Hackman era amplamente reconhecido por seu talento e sua impressionante trajetória no cinema, com uma carreira que começou nos anos 1960 e se estendeu por mais de seis décadas, totalizando mais de 80 filmes. Seu estilo inconfundível, com uma voz rouca e uma presença marcante na tela, o transformou em um dos atores mais respeitados de sua geração. Ao longo de sua carreira, Hackman trabalhou em diversos gêneros e se destacou tanto em papéis de vilão quanto de herói, demonstrando uma versatilidade rara no cinema.
O ator obteve sua primeira indicação ao Oscar por sua interpretação em “Bonnie e Clyde” (1967), onde viveu o irmão de Clyde Barrow, o notório ladrão de bancos, interpretado por Warren Beatty. Sua ascensão definitiva veio com o papel de Popeye Doyle, um detetive durão e determinado que persegue traficantes de drogas internacionais no aclamado thriller “Operação França” (1971), dirigido por William Friedkin. A interpretação de Hackman nesse filme lhe rendeu o prêmio de Melhor Ator no Oscar de 1972, marcando um dos maiores momentos de sua carreira.
Além de sua vitória como Melhor Ator, Hackman conquistou um Oscar de Melhor Ator Coadjuvante em 1993 por seu papel como o xerife malvado Little Bill Daggett em “Os Imperdoáveis”, de Clint Eastwood. Este foi um dos muitos papéis memoráveis em sua carreira, que também incluiu indicações ao Oscar por sua atuação em “Meu Pai, Um Estranho” (1970), “Mississippi em Chamas” (1988), e “Bonnie e Clyde” (1967). Sua habilidade de se transformar completamente em diferentes personagens, seja como herói ou vilão, garantiu-lhe uma ampla gama de papéis e uma legião de fãs.
Vida de Hackman
Hackman nasceu em 30 de janeiro de 1930, em San Bernardino, Califórnia, e teve uma infância difícil. Aos 16 anos, ele se alistou no Corpo de Fuzileiros Navais, mentindo sobre sua idade para poder servir. Após seu tempo no exército, Hackman estudou jornalismo na Universidade de Illinois, mas logo se apaixonou pela atuação. Ele se transferiu para o Pasadena Playhouse na Califórnia, onde conheceu Dustin Hoffman, outro ator que viria a se tornar uma lenda do cinema. Os dois se mudaram para Nova York, onde Hackman começou sua carreira teatral e teve papéis importantes na Broadway em produções como “Barefoot in the Park” e “Any Wednesday”.
O início de sua carreira no cinema foi marcado por papéis menores, mas aclamados pela crítica, como em “Lilith” (1964), ao lado de Warren Beatty. Sua colaboração com Beatty continuou com “Bonnie e Clyde”, que foi um divisor de águas para sua carreira. Hackman continuou a conquistar papéis de destaque em filmes como “The French Connection – Conexão Francesa” (1971), “Mississippi Burning – O Caso dos 3 Crimes” (1988) e “Hoosiers – O Desafio” (1986), no qual interpretou um treinador de basquete, um de seus papéis mais emocionantes.
Embora sua carreira tenha sido marcada por papéis intensos e muitas vezes violentos, Hackman também era capaz de interpretar personagens cativantes e cheios de nuances. Entre seus papéis mais conhecidos estão o vilão Lex Luthor, em “Superman” (1978) e suas sequências, e o patriarca excêntrico da família Tenenbaum no filme “Os Excêntricos Tenenbaums” (2001). Além disso, ele apareceu em filmes como “Espantalho” (1973), “The Conversation – A Conversação” (1974), e “Enemy of the State – Inimigo do Estado” (1998), sempre trazendo profundidade e complexidade aos seus personagens.
Em 2004, Hackman se aposentou do cinema, afirmando que os papéis oferecidos estavam cada vez mais limitados a papéis de avôs, e que não sentia mais o desejo de continuar na profissão. Seu último filme foi “Welcome to Mooseport”, uma comédia onde ele atuou ao lado de Ray Romano. No entanto, sua contribuição ao cinema permanece inquestionável, e sua aposentadoria foi vista com pesar por fãs e críticos. Hackman disse em entrevistas posteriores que sentia falta de atuar, mas que o estresse da indústria cinematográfica o havia levado a se afastar definitivamente dos palcos e das câmeras.
Em sua vida pessoal, Hackman teve três filhos de seu casamento com sua ex-esposa, Faye Maltese, com quem esteve casado entre 1956 e 1986. Seus filhos, Christopher, Elizabeth e Leslie, nasceram desse relacionamento. Em 1991, Hackman casou-se com Betsy Arakawa, com quem permaneceu até o fim de sua vida. Hackman foi uma figura querida em Hollywood, respeitada tanto por seu talento como por sua natureza discreta e reclusa.
Ao longo de sua carreira, Hackman também conquistou prêmios significativos fora dos Oscars, incluindo um Globo de Ouro por “Os Imperdoáveis” (1992) e por “Os Excêntricos Tenenbaums” (2001). Em 2000, ele foi homenageado com o prêmio Cecil B. DeMille por sua contribuição notável à indústria do entretenimento, um reconhecimento do seu legado de quase 50 anos na profissão.





