Eduardo Bolsonaro, que é filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e deputado federal pelo Partido Liberal (PL) de São Paulo, anunciou que tirará uma licença do seu mandato para residir nos Estados Unidos, onde já se encontra desde o final de fevereiro de 2025. A decisão foi tomada em meio a um cenário político conturbado, especialmente com o iminente julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), que pode tornar seu pai réu em um processo relacionado à tentativa de golpe de Estado, embora Eduardo não seja diretamente envolvido na investigação.
Ao fazer o anúncio, Eduardo Bolsonaro criticou publicamente o ministro Alexandre de Moraes, do STF, acusando-o de perseguir seu pai e outros aliados políticos. Essa crítica reflete o tom de seu discurso contra o STF, especialmente com relação ao inquérito sobre a alegada tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023, que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro. Eduardo afirmou que teme ser preso por uma possível ordem do STF e afirmou que, durante sua licença, seu foco será lutar contra o que ele considera uma “perseguição” de autoridades judiciárias e policiais.
Além disso, Eduardo Bolsonaro abriu mão de receber seu salário de deputado, que é de aproximadamente R$ 46.366,19 mensais, como parte de sua decisão de se licenciar. Em relação à sua atuação na Câmara dos Deputados, o comando da Comissão de Relações Exteriores, que ele pretendia assumir, será transferido para o deputado Luciano Zucco, que também é do PL e é líder da oposição na Câmara. Zucco é descrito por Eduardo como alguém que continuará a promover as relações diplomáticas com os Estados Unidos, especialmente com o governo de Donald Trump, com quem o deputado tem fortes laços.
A escolha de Eduardo para comandar a comissão da Câmara havia gerado controvérsia, especialmente entre aliados do governo, que temiam que ele utilizasse o cargo como uma plataforma para atacar o STF e ministros como Alexandre de Moraes. Essa situação gerou disputas internas no PL, e o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, teria sido um dos responsáveis por evitar a nomeação de Eduardo para a comissão, embora ele tenha negado qualquer veto.
Eduardo também enfrenta um processo judicial movido pela deputada Tábata Amaral (PSB-SP), em que ele é réu por difamação. Ele havia feito acusações sem provas contra a deputada, dizendo que ela teria elaborado um projeto sobre a distribuição de absorventes para beneficiar o empresário Jorge Paulo Lehmann.
Em paralelo a essas questões, o Partido dos Trabalhadores (PT) havia solicitado a apreensão do passaporte de Eduardo Bolsonaro, alegando que ele estaria usando suas viagens internacionais para instigar políticos americanos contra o STF. No entanto, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, rejeitou o pedido do PT.
Eduardo Bolsonaro afirmou que sua licença será temporária, mas não revelou por quanto tempo permanecerá nos Estados Unidos. Ele enfatizou que continuará a representar seus apoiadores no Brasil, especialmente aqueles que o veem como uma figura de oposição à atuação do STF.





