Goiânia, 19 de março de 2025 – A inadimplência em Goiás atingiu um crescimento expressivo de 7,87% em fevereiro deste ano, quando comparado ao mesmo mês de 2024. Este aumento é o maior registrado nos últimos 12 meses, segundo dados divulgados pela FCDL-GO (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Goiás) em parceria com o SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito). O crescimento da inadimplência no estado é significativamente superior à média nacional, que ficou em 3,22% no mesmo período, destacando a situação delicada vivida pelos consumidores goianos.
O número de consumidores inadimplentes em Goiás segue em um movimento crescente, o que tem preocupado especialistas em economia e finanças. O levantamento revela que, em média, cada goiano negativado tinha uma dívida total de R$ 4,9 mil em fevereiro de 2025, considerando todas as pendências financeiras acumuladas. Esse valor representa a soma de débitos com bancos, lojas comerciais, concessionárias de serviços públicos e outros setores.
O panorama de inadimplência no estado não é homogêneo, já que a maior parte das dívidas, cerca de 61%, refere-se a débitos com bancos. Isso reflete o peso das dívidas relacionadas ao crédito pessoal, financiamentos e empréstimos, que, em muitos casos, foram contraídos com juros elevados. Além disso, 12% das dívidas são com lojas do comércio, o que indica uma alta de pendências no consumo de bens e serviços no comércio local. Outros 10% das dívidas estão distribuídos entre outros segmentos, e 9% das pendências são devidas a concessionárias de serviços como água e energia elétrica, setores essenciais para a vida cotidiana, que frequentemente acabam gerando inadimplência em razão das dificuldades financeiras dos consumidores.
Outro dado relevante do estudo é que a maioria dos consumidores inadimplentes em Goiás, 86%, são reincidentes em relação aos últimos 12 meses. Ou seja, grande parte dos negativados já acumula dívidas anteriores e não conseguiu regularizar a situação, o que indica um ciclo de endividamento persistente. Essa repetição de inadimplência é um reflexo claro das dificuldades econômicas enfrentadas por uma parcela significativa da população, que tem visto suas condições de pagamento se deteriorarem com o aumento das taxas de juros e a alta da inflação, que impactam diretamente o poder de compra e a capacidade de honrar compromissos financeiros.
Para a FCDL-GO, a alta da inadimplência em Goiás é uma situação preocupante, e o cenário não parece ter perspectivas imediatas de melhora. Valdir Ribeiro, presidente da FCDL-GO, destacou que o aumento da inadimplência não é uma surpresa. Segundo ele, os números de 2024 já haviam dado sinais de alerta, e no segundo semestre do ano passado, o índice disparou devido à escalada dos juros. Ribeiro ressaltou ainda que 2025 começa com índices nada favoráveis, devido à persistência da inflação, que continua corroendo o poder aquisitivo dos consumidores. A combinação desses fatores econômicos, como o aumento dos juros e o custo elevado de vida, tem gerado um cenário de inadimplência crescente no estado, com impactos diretos no comércio e na economia local.
O crescimento da inadimplência em Goiás já é observado há oito meses consecutivos, o que reforça a tendência de deterioração das finanças pessoais da população. Os índices registrados nos últimos meses são os seguintes: fevereiro (7,87%), janeiro (4,78%), dezembro (1,81%), novembro (4,68%), outubro (3,51%), setembro (2,47%), agosto (1,32%) e julho (2,23%). Esses números mostram uma trajetória crescente, com os consumidores se endividando cada vez mais e sem conseguir regularizar suas pendências, o que agrava ainda mais o quadro de inadimplência no estado.
Além disso, o aumento das dívidas em Goiás tem gerado um impacto direto nas empresas, especialmente no comércio local, que acaba sofrendo com a falta de pagamentos por parte dos consumidores. A recuperação da economia e a solução dessa crise de inadimplência dependem, em grande parte, de uma melhora no cenário econômico do país, com a redução das taxas de juros e o controle da inflação, o que poderia aliviar a pressão sobre os consumidores e permitir que mais pessoas conseguissem regularizar suas pendências.
O cenário de inadimplência também tem gerado desafios para o setor financeiro, que precisa lidar com um número crescente de inadimplentes e com os riscos de não receber os valores devidos. Para o comércio e as empresas de crédito, isso significa uma maior dificuldade na recuperação de dívidas e, em muitos casos, a necessidade de revisão de estratégias de cobrança e negociação com os consumidores.
Diante desse cenário, a FCDL-GO recomenda que os consumidores busquem alternativas para evitar o endividamento e a inadimplência, como a renegociação de dívidas, a revisão do orçamento familiar e o controle dos gastos. A federação também reforça a importância de uma educação financeira mais robusta, para que os consumidores consigam tomar decisões mais conscientes e evitar o ciclo de endividamento.





