A ex-presidente do Brasil, Dilma Rousseff, foi reconduzida ao cargo de presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), também conhecido como Banco dos BRICS. A decisão de sua permanência no comando da instituição financeira foi formalizada com o aval do presidente da Rússia, Vladimir Putin, que desempenhou um papel determinante no processo de indicação e continuidade da brasileira à frente da entidade.
Dilma havia assumido a liderança do banco em abril de 2023, com previsão inicial de concluir seu mandato em julho de 2024. No entanto, ainda no primeiro semestre deste ano, surgiram sinais claros de que a permanência de Dilma era não apenas desejada como também estrategicamente necessária, principalmente para atender aos interesses da Rússia no atual cenário geopolítico.
O Apoio Decisivo da Rússia
Com as duras sanções internacionais impostas à Rússia após o início do conflito com a Ucrânia, em fevereiro de 2022, as possibilidades de um cidadão russo assumir a presidência do NDB foram severamente limitadas. Essas restrições comprometeriam a atuação do país dentro da instituição financeira multilateral, dificultando as negociações e a capacidade de comando na presidência. Nesse contexto, a extensão do mandato de Dilma Rousseff surgiu como uma alternativa viável e eficiente para manter o equilíbrio político dentro do bloco, ao mesmo tempo em que protege os interesses estratégicos russos.
Durante pronunciamentos recentes, Vladimir Putin destacou o desempenho da ex-presidente brasileira à frente do banco. Em junho de 2023, quando Dilma participou do Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, o líder russo teceu elogios à gestão da brasileira, reconhecendo o progresso e a solidez que a instituição tem apresentado sob sua presidência. Segundo Putin, a condução de Dilma tem sido fundamental para garantir a continuidade dos projetos de desenvolvimento financiados pelo NDB.
No Brasil, a recondução de Dilma Rousseff à presidência do Novo Banco de Desenvolvimento também foi recebida com entusiasmo por lideranças políticas aliadas ao governo. Nas redes sociais, a ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, parabenizou a ex-presidente pela renovação de seu mandato, destacando o papel crucial que o banco desempenha no financiamento de projetos voltados ao crescimento econômico dos países-membros do BRICS.
“A presidenta Dilma Rousseff tem liderado com competência e compromisso o Banco dos BRICS, que cumpre um papel importante no desenvolvimento dos nossos países e na integração do chamado sul global”, escreveu Gleisi em publicação no X (antigo Twitter).
O Papel do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB)
O Novo Banco de Desenvolvimento foi fundado em 2015 pelos cinco países que integram o BRICS: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Sua missão é apoiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável nos países-membros e em outras economias emergentes. O banco busca ser uma alternativa às tradicionais instituições financeiras internacionais, como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI), oferecendo financiamento com menos imposições políticas e maior foco no crescimento inclusivo.
A presidência e as vice-presidências do NDB são rotativas entre os membros fundadores. No entanto, fatores geopolíticos, como o atual isolamento diplomático e econômico da Rússia, podem influenciar esse revezamento. A permanência de Dilma Rousseff no cargo assegura estabilidade institucional e dá continuidade às diretrizes estabelecidas para o financiamento de projetos estruturais em diversos países.
Avanço de Projetos de Integração com a China e o Sul Global
Durante um evento recente em Pequim, na China, Dilma Rousseff destacou a ampliação de parcerias econômicas entre Brasil e China, que são considerados atores centrais na construção de uma nova ordem econômica multipolar. Entre os projetos mencionados pela presidente do NDB, ganhou destaque a ferrovia transoceânica, uma proposta ambiciosa que busca criar um corredor logístico ligando o Brasil ao Oceano Pacífico, passando por países da América do Sul. A iniciativa visa reduzir significativamente os custos de exportação para o mercado asiático e aumentar a competitividade das commodities brasileiras.
No mesmo evento, Dilma elogiou a condução econômica da China sob a liderança de Xi Jinping e ressaltou a importância do papel das empresas chinesas na economia global. Segundo ela, companhias como a DeepSeek têm demonstrado capacidade de competir em nível global, desafiando a hegemonia de multinacionais tradicionais sediadas em países desenvolvidos.
A ex-presidente brasileira também defendeu a necessidade de fortalecer o “sul global”, conceito que reúne as economias emergentes do hemisfério sul. Para Dilma, é fundamental que essas nações aprofundem seus laços de cooperação e desenvolvam soluções conjuntas para superar os desafios do desenvolvimento, da desigualdade e das mudanças climáticas.
O Futuro do Banco dos BRICS e a Liderança de Dilma Rousseff
A recondução de Dilma Rousseff ao comando do NDB representa um marco importante para a diplomacia brasileira e para a consolidação de uma agenda de desenvolvimento mais inclusiva entre os países emergentes. Sob sua liderança, o banco tem expandido suas operações de crédito e fortalecido parcerias estratégicas em áreas como energia renovável, infraestrutura de transporte e inovação tecnológica.
Com a continuidade de Dilma à frente do NDB, o Brasil mantém uma posição de destaque no cenário financeiro internacional, enquanto o banco reafirma seu compromisso em promover o crescimento sustentável e a cooperação econômica entre as nações do BRICS.
O cenário de incertezas geopolíticas, agravado pelo conflito entre Rússia e Ucrânia e suas consequências econômicas, levou o BRICS a optar pela continuidade de Dilma Rousseff na presidência do NDB. A decisão assegura a governança do banco e promove a continuidade dos investimentos em infraestrutura e desenvolvimento sustentável, contribuindo para a construção de uma nova arquitetura financeira global, menos dependente das potências tradicionais.
Dilma Rousseff, ao manter-se no comando do Novo Banco de Desenvolvimento, reafirma seu protagonismo no cenário internacional, agora em uma função estratégica que transcende a política doméstica e reforça o papel do Brasil no fortalecimento das economias emergentes.





