Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) antecipam uma derrota unânime no julgamento da trama golpista no Supremo Tribunal Federal (STF), que pode transformar Bolsonaro e sete de seus ex-ministros em réus. A acusação envolve crimes como organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e atentados ao Estado democrático de direito. A expectativa é que a Primeira Turma do STF aceite abrir uma ação penal contra os acusados, com um placar de 5 a 0.
Entre os réus estão os ex-ministros Walter Braga Netto (Casa Civil e Defesa), Anderson Torres (Justiça), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Paulo Sérgio Nogueira (Defesa), e outras figuras ligadas a Bolsonaro, incluindo o ex-ajudante de ordens Mauro Cid e o ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem.
Nos últimos dias, a defesa de Bolsonaro tentou, sem sucesso, afastar dos julgamentos os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino, alegando suspeição devido a processos anteriores envolvendo o ex-presidente. A mobilização dos aliados de Bolsonaro está sendo direcionada para contestar pontos específicos das falas dos ministros durante o julgamento, previsto para ser transmitido ao vivo pela TV Justiça. O temor é que discursos dos ministros, com termos como “golpe” e “depredação”, sejam destacados e viralizem nas redes sociais.
Para contrapor a narrativa do governo, aliados de Bolsonaro planejam cortar trechos específicos do julgamento e compartilhar nas plataformas digitais. O objetivo é evitar que a imagem do ex-presidente seja associada à falta de apoio popular, especialmente após uma manifestação no Rio de Janeiro ter sido considerada fraca. A intenção é criar uma mobilização nas redes sociais, impulsionando a participação dos apoiadores nas próximas manifestações, previstas para ocorrer em São Paulo.
O STF, ciente da possibilidade de mobilização, preparou um esquema de segurança reforçado para o julgamento, com medidas específicas para evitar ciberataques e garantir a ordem pública. O julgamento começará com a leitura do relatório pelo ministro Alexandre de Moraes, seguido pela manifestação do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Após a defesa dos réus, os ministros votarão para decidir se aceitam ou rejeitam a denúncia, com os votos seguindo a ordem de Moraes, Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin.





