A Polícia Civil de Goiás (PCGO), por meio da Delegacia de Polícia de Hidrolândia – 2ª DR, deflagrou, nesta segunda-feira (31), a Operação Alforria, com o objetivo de resgatar um idoso de 75 anos que estava sendo submetido a condições de trabalho análogas à escravidão. A ação foi desencadeada após uma denúncia formal recebida do Ministério Público de Goiás (MPGO), por intermédio da 1ª Promotoria de Justiça de Hidrolândia, que indicava a possível prática desse crime em uma propriedade rural da região.
A investigação teve início quando o MPGO comunicou à Polícia Civil sobre os indícios de exploração do idoso, o que levou as autoridades a tomar medidas urgentes para apurar os fatos. Diante da gravidade das alegações, a Autoridade Policial determinou a realização de diligências com o objetivo de identificar e localizar o imóvel rural onde a vítima estava sendo mantida, supostamente em condições degradantes, e sujeita a trabalho forçado. As investigações direcionaram as equipes para uma área remota do município de Hidrolândia, onde foi localizada a propriedade.
No local, os policiais civis e representantes do MPGO encontraram o idoso trabalhando no quintal da residência, realizando tarefas braçais como o transporte de materiais com uma pá e um carrinho de mão. Em uma entrevista preliminar, a vítima relatou que estava prestando serviços na propriedade há aproximadamente oito anos, sem receber nenhum pagamento ou qualquer assistência financeira. Em troca, o idoso recebia apenas alimentação e moradia, mas sob condições extremamente precárias.
Ao inspecionar as condições habitacionais, as equipes constataram que o idoso residia em um imóvel separado da casa principal. O local apresentava uma situação insalubre, com absoluta precariedade higiênico-sanitária. Além disso, foi observado que o idoso vivia em convivência com animais domésticos, como galinhas e cães, e o ambiente estava infestado com carne em estado de putrefação, o que agravava ainda mais as condições de saúde e bem-estar da vítima. A gravidade das condições do local levou a Polícia Técnico-Científica a ser acionada para realizar uma perícia detalhada no imóvel e documentar as condições encontradas.
Com base nas evidências materiais e nas declarações da vítima, foi possível caracterizar o crime de trabalho análogo à escravidão. O proprietário da propriedade foi preso em flagrante delito e autuado pela prática do crime. Os autos do caso foram imediatamente encaminhados à Vara das Garantias e ao Ministério Público, que dará continuidade à apuração do caso e à adoção das medidas legais necessárias.
Esse resgate e a operação “Alforria” destacam o comprometimento das autoridades de Goiás em combater crimes de exploração de trabalhadores, além de reforçar a importância da atuação conjunta entre a Polícia Civil, o Ministério Público e a sociedade para garantir a proteção dos direitos humanos e a justiça para vítimas de situações de trabalho análogo à escravidão. A Polícia Civil de Goiás reitera que continuará com os esforços para identificar e erradicar esse tipo de crime em todo o estado, além de reforçar a importância das denúncias da população no combate a essa prática cruel e desumana.





