Na tarde desta quinta-feira, 10, a capital federal foi palco de um confronto entre manifestantes indígenas e forças de segurança. Integrantes do Acampamento Terra Livre (ATL), mobilização tradicional em defesa dos direitos dos povos originários, foram dispersados com o uso de gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral em frente ao Congresso Nacional, após tentarem invadir a sede do Legislativo Federal.
O grupo, formado por representantes de diversas etnias, havia iniciado a manifestação com uma caminhada simbólica a partir do Teatro Nacional. Com trajes típicos, cantos tradicionais e faixas com frases como “Não ao retrocesso dos direitos indígenas” e “Fora madeireiros das terras indígenas”, os manifestantes se dirigiram ao Congresso para pressionar parlamentares sobre pautas sensíveis aos povos originários.
O impasse começou quando parte do grupo tentou se aproximar da entrada principal do Congresso. A Polícia Legislativa reagiu com o uso de gás para evitar o avanço dos manifestantes sobre a área restrita. Houve correria, gritos e confusão. Alguns participantes negaram qualquer tentativa de invasão e reforçaram que o ato era pacífico e simbólico. Apesar disso, a tensão levou ao uso contínuo de bombas para dispersão.
Mesmo após a ação policial, os manifestantes retornaram ao gramado em frente ao Congresso e bloquearam trechos da Esplanada dos Ministérios. Um dos atos simbólicos mais marcantes foi a instalação de cerca de 200 caixões pretos no local, representando o que chamaram de “genocídio indígena” e denunciando o apoio da chamada bancada ruralista a projetos que, segundo eles, ameaçam suas terras e modos de vida.
A edição de 2025 do Acampamento Terra Livre reforçou demandas antigas, como a retomada urgente das demarcações de terras, o fortalecimento da Funai e o combate à mineração ilegal, sobretudo na Região Norte. Os organizadores destacaram que os recentes retrocessos legislativos e a pressão por exploração econômica em áreas indígenas têm ampliado a insegurança e a vulnerabilidade das comunidades.
O episódio reacendeu o debate sobre os limites da atuação policial em manifestações sociais e o direito constitucional à livre expressão e protesto. Até o momento, as autoridades seguem acompanhando a situação, e nenhuma prisão foi oficialmente registrada.





