Uma pesquisa recente realizada pelo Datafolha, entre os dias 1º e 3 de abril de 2025, revela os impactos profundos da inflação no bolso dos brasileiros. O levantamento destaca que 58% da população foi forçada a reduzir a quantidade de alimentos comprados devido ao aumento dos preços. Este cenário é ainda mais preocupante entre as camadas mais pobres da população, com 67% das pessoas com renda de até dois salários mínimos afirmando que diminuíram suas compras de comida.
Além disso, o estudo também mostrou que, para 54% dos brasileiros, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem uma grande responsabilidade pela alta dos preços dos alimentos. Outros 29% dos entrevistados acreditam que a administração atual tem alguma culpa, enquanto apenas 14% isentam o governo de qualquer responsabilidade.
Mudanças de hábitos diante da inflação
Os efeitos da inflação são visíveis no cotidiano dos brasileiros. O levantamento revelou que 8 em cada 10 pessoas mudaram seus hábitos de consumo por conta da alta dos preços. Entre as mudanças mais comuns, estão:
- 61% dos entrevistados passaram a sair menos para comer fora.
- 50% trocaram a marca de café por uma mais barata.
- 49% reduziram o consumo de bebidas, como refrigerantes e sucos.
Essas mudanças, no entanto, não se limitam ao consumo de alimentos. A pesquisa indicou que um quarto da população brasileira afirma ter menos comida do que o suficiente em casa, um reflexo direto do impacto da inflação nas compras cotidianas.
Cortes no orçamento e busca por alternativas
Além das mudanças nos hábitos alimentares, muitos brasileiros têm recorrido a outras estratégias para lidar com a situação financeira. Metade da população (50%) afirmou ter diminuído o consumo de serviços essenciais, como água, luz e gás. Para 47%, a saída foi buscar uma fonte de renda extra, enquanto 36% relataram que reduziram a compra de medicamentos. Além disso, 32% deixaram de pagar dívidas e 26% cortaram o pagamento de contas básicas da casa, como aluguel ou condomínio.
Essas atitudes refletem a crescente necessidade de improvisar e ajustar os orçamentos pessoais devido ao aumento de preços em várias áreas essenciais da vida cotidiana.
A pesquisa também revelou uma percepção negativa da economia brasileira. Em comparação com o final de 2023, houve um aumento significativo no número de brasileiros que afirmam que a situação econômica do país piorou. Agora, 55% dos entrevistados consideram que a economia do Brasil está em um estado pior do que antes, um aumento de 10 pontos percentuais em relação à pesquisa anterior. Este é o primeiro momento no terceiro mandato de Lula em que a percepção negativa atinge mais da metade da população.
Responsabilidade do governo Lula pela alta dos preços
O aumento dos preços, especialmente de itens essenciais como tomate (22,5%), ovo (13,1%) e café moído (8,1%), tem sido apontado como um dos maiores responsáveis pela insatisfação popular. De acordo com a pesquisa do Datafolha, 54% dos brasileiros acreditam que o governo Lula tem “muita responsabilidade” pela inflação nos preços dos alimentos, e 29% acham que há alguma responsabilidade do governo. Apenas 14% dos entrevistados isentam o governo de qualquer culpa.
Curiosamente, a percepção da responsabilidade do governo também é significativa entre os próprios eleitores de Lula. 72% dos apoiadores do presidente reconhecem algum grau de culpa pela alta dos preços, refletindo um desconforto com o impacto direto na vida cotidiana. Esse índice é ainda maior entre os eleitores de possíveis adversários de Lula nas eleições de 2026, como Romeu Zema (78%) e Tarcísio de Freitas (77%).
Além de responsabilizar o governo, a pesquisa também investigou a percepção dos brasileiros sobre outros fatores que poderiam contribuir para a inflação. Entre os brasileiros de menor renda, 55% culpam o governo Lula pela alta dos preços, enquanto 54% atribuem parte da responsabilidade aos produtores rurais. Entre os mais ricos, a culpa parece recair mais sobre fatores externos, como as guerras internacionais (40%) e a crise econômica nos Estados Unidos (36%).
A popularidade do governo Lula
Em meio à crise econômica, a popularidade do presidente Lula tem enfrentado desafios. A pesquisa mostrou um pequeno aumento na aprovação do governo, que passou de 24% em dezembro de 2023 para 29% em abril de 2025. No entanto, a reprovação continua a superar a aprovação, com 38% dos brasileiros desaprovando a administração do presidente.
A alta dos preços, especialmente dos alimentos, continua a ser um dos maiores obstáculos para a recuperação da imagem do governo. Apesar de algumas medidas, como a isenção de impostos para ajudar a controlar a inflação, os efeitos ainda não foram sentidos de forma significativa pela população.





