Na segunda-feira (14), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez uma proposta polêmica durante um encontro com o presidente salvadorenho, Nayib Bukele, na Casa Branca. Trump sugeriu a deportação de cidadãos americanos para El Salvador, com foco em criminosos violentos. A proposta gerou reações de surpresa e preocupação, já que, se implementada, poderia afetar não apenas imigrantes, mas também cidadãos americanos, naturalizados ou nascidos nos EUA, considerados violentos ou envolvidos com atividades criminosas.
O encontro entre os dois líderes foi marcado por elogios mútuos, com Trump chamando Bukele de “baita presidente” e destacando o trabalho do salvadorenho no combate ao crime. A proposta de deportação foi discutida dentro do contexto de medidas para combater a violência nas ruas dos Estados Unidos, principalmente a violência contra pessoas vulneráveis, como idosos. Trump mencionou casos de criminosos que, segundo ele, atacam de maneira brutal e impune, como os que agem em transporte público ou atacam pessoas com tacos de beisebol.
Trump disse que a medida de deportação seria levada em consideração, mas que só seguiria adiante caso a equipe jurídica da Casa Branca confirmasse que a ação seria legal. A deportação seria direcionada a cidadãos americanos com históricos de envolvimento com crimes violentos, e o presidente também sugeriu que os EUA poderiam financiar a construção de novos presídios de alta segurança em El Salvador, país que já tem colaborado com os EUA no processo de recepção de prisioneiros.
O governo dos EUA também está discutindo a possibilidade de enviar imigrantes ilegais de volta para El Salvador, com Trump destacando que o país possui “estruturas fortes” e é eficaz no controle de criminosos. Bukele se mostrou aberto à proposta e reafirmou que o El Salvador está disposto a receber prisioneiros norte-americanos. Desde março de 2025, o país tem aceitado imigrantes deportados, especialmente aqueles acusados de envolvimento com gangues e crimes violentos, como os mais de 200 imigrantes venezuelanos que foram enviados para a megaprisão de segurança máxima nas proximidades de San Salvador.
Trump também reafirmou sua parceria com Bukele, considerando-o um aliado fundamental na luta contra o crime, não só em El Salvador, mas também em relação à política de imigração nos EUA. O presidente dos EUA elogiou o trabalho de Bukele e disse estar “honrado” em recebê-lo na Casa Branca. Segundo Trump, a relação entre os dois tem sido frutífera para ambas as nações e destacou que a colaboração em questões de segurança e imigração tem sido um ponto chave dessa parceria.
Entretanto, o encontro entre os presidentes aconteceu em meio a protestos. A família de Kilmar Abrego Garcia, um imigrante salvadorenho deportado por erro pelo governo dos EUA, protestou em frente à Casa Branca. Kilmar tinha uma autorização de trabalho nos EUA e foi deportado para El Salvador, mesmo estando legalmente no país. Esse caso levantou questões sobre a legalidade das deportações, especialmente quando há erros administrativos. O governo Trump admitiu o erro, mas até o momento não cumpriu a determinação judicial de trazer Kilmar de volta aos Estados Unidos.
Após a reunião com Trump, Bukele usou as redes sociais para expressar sua satisfação com a visita e a parceria com os EUA. Ele postou uma foto ao lado de Trump e se referiu ao presidente norte-americano como “amigo”. Bukele também comentou sobre os desafios de lidar com a imigração ilegal e os criminosos envolvidos com gangues, e reafirmou que está aberto a colaborar com os EUA para combater esse problema.
Enquanto isso, a situação continua a gerar controvérsia, com defensores dos direitos dos imigrantes questionando as políticas agressivas de deportação e os métodos adotados pelo governo Trump. Além disso, a proposta de deportar cidadãos americanos e imigrantes de volta para El Salvador traz à tona preocupações sobre o tratamento dos prisioneiros em El Salvador, onde a megaprison ha gerado críticas de organizações de direitos humanos. O impacto dessas políticas será acompanhado de perto, especialmente à medida que o Congresso dos EUA começa a avaliar as propostas do presidente.





