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Comércio entre Brasil e EUA atinge recorde histórico no 1º trimestre de 2025, apesar de tarifas

Foto: Marcos Corrêa/PR/Reprodução

Mesmo diante de um cenário de incertezas e aumento de tarifas por parte dos Estados Unidos, o comércio bilateral entre Brasil e EUA alcançou um patamar inédito no primeiro trimestre de 2025. Segundo levantamento da Câmara Americana de Comércio (Amcham Brasil), a corrente de comércio entre os dois países — ou seja, a soma das exportações e importações — chegou a US$ 20 bilhões entre janeiro e março, o maior valor já registrado para esse período.

Esse resultado representa uma expansão de 6,6% em relação ao mesmo trimestre do ano passado e reflete a resiliência da relação econômica entre as duas maiores economias do continente. O crescimento foi impulsionado, sobretudo, pelo aumento expressivo das importações brasileiras, que totalizaram US$ 10,3 bilhões, registrando um salto de 14,7% em relação ao primeiro trimestre de 2024. Em contrapartida, as exportações do Brasil para os Estados Unidos recuaram 0,8%, somando US$ 9,7 bilhões.

Um dos fatores que torna esse recorde ainda mais relevante é o contexto em que ele ocorre. Desde o início de 2025, o governo dos Estados Unidos, sob a gestão do ex-presidente Donald Trump, retomou políticas protecionistas e aplicou um conjunto de tarifas adicionais a diversos produtos importados. As taxas incluem uma sobretaxa de 10% sobre bens industriais em geral, algo que já ocorria anteriormente.

Apesar disso, a movimentação comercial entre os dois países não apenas resistiu às medidas como também cresceu, o que surpreendeu parte do mercado. Para especialistas da Amcham, isso demonstra a força da complementaridade econômica entre as duas nações. Ainda assim, o órgão alerta que as tarifas representam um risco para o desempenho do comércio exterior brasileiro nos próximos meses, podendo inibir o crescimento das exportações.

Os Estados Unidos seguem como o segundo principal parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China. No entanto, o atual desequilíbrio entre as exportações e as importações reforça a necessidade de uma estratégia comercial mais robusta por parte do Brasil. A Amcham destaca a importância de políticas públicas voltadas à competitividade da indústria nacional, incentivo à inovação e diversificação dos mercados-alvo para reduzir a dependência de grandes potências.

A expectativa para os próximos trimestres é cautelosa. O desempenho do comércio bilateral vai depender não apenas do comportamento das tarifas, mas também da evolução da economia global e da capacidade do Brasil de se adaptar às novas dinâmicas do comércio internacional.

 

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