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Dentista é Investigada por Causar Lesões Permanentes em Paciente Após Procedimentos Estéticos

Dentista causa lesões graves
Vitima lesionada - Imagem reprodução PCGO

 

Uma dentista está sendo investigada pela Polícia Civil após uma paciente denunciar que sofreu uma deformação permanente no rosto, acompanhada de cicatrizes, fibrose, retração de pele e dor persistente, como resultado de procedimentos estéticos realizados na clínica da profissional, localizada em Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital goiana. O caso gerou uma operação, e na terça-feira (29), a polícia cumpriu um mandado de busca e apreensão no local. Durante a ação, foram recolhidos documentos, prontuários e dispositivos eletrônicos, que agora serão analisados pela polícia.

 

A paciente, que procurou a dentista para realizar tratamentos estéticos, relatou que foi submetida a dois procedimentos: lifting facial, que tem como objetivo reduzir as linhas de expressão, e blefaroplastia, voltada para a remoção do excesso de pele nas pálpebras. No entanto, esses procedimentos são expressamente proibidos para profissionais da odontologia, como determinado pelas regulamentações do Conselho Regional de Odontologia de Goiás (CRO-GO). De acordo com o CRO, a realização desses procedimentos invasivos é restrita aos médicos, e a dentista, ao executar tais tratamentos, pode ter cometido crime de exercício ilegal da medicina.

 

O Conselho informou, em nota, que está conduzindo uma apuração disciplinar sobre o caso, que tramita sob sigilo, mas já adiantou que o lifting facial e a blefaroplastia são práticas vedadas aos cirurgiões-dentistas. O caso segue em investigação, e a polícia tenta identificar se existem outras vítimas que tenham sido prejudicadas pelos procedimentos realizados pela dentista.

 

Em entrevista à  TV Anhanguera, a vítima relatou que, durante o atendimento, a dentista a atendeu como se fosse médica, sem jamais informá-la sobre sua verdadeira profissão. “Ela me atendeu como médica, em momento nenhum ela me disse que era dentista”, afirmou a paciente. Essa omissão da profissional de informar sua verdadeira formação levanta questões sobre a falta de ética e transparência no atendimento.

 

A Polícia Civil de Goiás, sob a liderança do delegado responsável pelo caso, Igomar Caetano, comunicou que a dentista será intimada para prestar declarações na próxima semana. Ela poderá ser responsabilizada por lesão corporal grave e exercício ilegal da medicina. O delegado Caetano alertou ainda que, caso sejam confirmadas outras vítimas, as penas podem ser ainda mais graves.

 

A investigação tem gerado grande repercussão, principalmente pelo fato de os procedimentos estéticos estarem cada vez mais populares, mas requerem acompanhamento por profissionais qualificados e legalmente habilitados. A Polícia Civil aproveitou a ocasião para reforçar o alerta sobre a importância de os pacientes sempre verificarem a habilitação legal dos profissionais antes de se submeterem a procedimentos estéticos invasivos. A realização de tratamentos de risco com profissionais não capacitados pode resultar em sérios danos à saúde, como no caso dessa paciente, que agora enfrenta as consequências dos procedimentos inadequados.

 

Esse caso serve como um lembrete para a população sobre os riscos de confiar em profissionais que não estão devidamente habilitados para realizar procedimentos médicos, especialmente quando envolvem alterações no corpo e rosto, que podem ter impactos permanentes na saúde física e emocional do paciente.

 

 

Nota do Conselho Regional de Odontologia (CRO)

Com relação aos andamentos da apuração disciplinar, o Conselho Regional de Odontologia (CROGO) informa que está em curso expediente administrativo em face da profissional, o qual tramita sob sigilo.

Com relação ao registro profissional, informa-se que atualmente a inscrição da profissional está ativada perante o CROGO, segundo consulta pública (https://website.cfo.org.br/busca-profissionais/).

De acordo com o art. 3º, alínea “f”, da Resolução CFO n. 198/19, os profissionais da Odontologia podem realizar procedimentos de “lipoplastia facial”, desde por meio de técnicas físicas, químicas ou mecânicas e sem intervenção cirúrgica.

Com relação ao “Face Lifting” e à “Blefaroplastia”, há vedação expressa aos cirurgiões-dentistas, conforme prevê o art. 1º, alíneas “b” e “f”, da Resolução CFO n. 230/20.

Editor Sucesso