O governo de Donald Trump anunciou na segunda-feira (5), que oferecerá um auxílio de US\$ 1.000 (aproximadamente R\$ 5.600) e apoio logístico para migrantes que decidirem “se autodeportar” dos Estados Unidos. De acordo com o Departamento de Segurança Interna (DHS), esse auxílio tem como objetivo incentivar os migrantes a deixarem o país voluntariamente, uma alternativa considerada mais econômica do que as deportações forçadas.
O valor do auxílio e, em alguns casos, a passagem aérea para os migrantes que optarem pela autodeportação será consideravelmente mais barato do que o custo de uma deportação tradicional, que pode chegar a cerca de US\$ 17 mil (aproximadamente R\$ 95 mil) por pessoa, conforme informações do DHS. A medida visa também aliviar a pressão sobre os recursos do governo, ao mesmo tempo em que oferece aos migrantes uma opção mais segura para retornar ao seu país de origem.
De acordo com o DHS, um exemplo de utilização do programa foi um cidadão de Honduras que conseguiu uma passagem aérea de volta para seu país a partir de Chicago. A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, declarou em comunicado que “a autodeportação é a melhor, mais segura e mais econômica maneira de deixar os Estados Unidos, evitando a prisão”.
Essa estratégia surge no contexto das promessas de Trump de expulsar milhões de migrantes ilegais durante sua campanha presidencial. Apesar disso, o governo Trump tem registrado números de deportações inferiores aos de seu antecessor, Joe Biden, que, por sua vez, enfrentou altos índices de imigração ilegal e rapidamente devolveu muitos imigrantes que atravessaram a fronteira.
Desde o início de seu governo, em janeiro de 2025, o governo Trump deportou cerca de 152 mil pessoas, um número abaixo dos 195 mil deportados no mesmo período de 2024 sob a gestão de Biden.
A atual administração tem pressionado os migrantes a deixarem os EUA de forma voluntária, utilizando táticas como ameaças de multas elevadas, retirada de permissões de permanência e até mesmo o envio para prisões com condições severas, como a de Guantánamo e a Cecot, em El Salvador. Além disso, o governo lançou um aplicativo chamado CBP Home, que facilita o processo de autodeportação e foi inicialmente utilizado pela administração de Biden para permitir a entrada legal de migrantes.
No comunicado, o DHS descreveu como uma “oportunidade histórica” a possibilidade de os migrantes receberem assistência financeira e apoio logístico para o retorno ao seu país de origem por meio do aplicativo CBP Home. O departamento estima que, com o uso desse aplicativo, os custos com deportações podem ser reduzidos em até 70%, mesmo considerando o pagamento do auxílio de US\$ 1.000.
Em abril, Kristi Noem mencionou uma estimativa de 20 a 21 milhões de pessoas que, segundo o governo, precisariam retornar aos seus países de origem. A administração Trump considera todos os migrantes que entraram no país sem visto ou permissão como criminosos, incluindo aqueles que solicitaram asilo durante o governo de Biden.
Em 2022, estima-se que cerca de 11 milhões de migrantes, tanto em situação irregular quanto com status temporário, viviam nos Estados Unidos. Trump havia antecipado a proposta de auxílio em abril, afirmando que os EUA estariam dispostos a trabalhar com os migrantes para facilitar o retorno de forma rápida e eficiente, caso eles fossem considerados “bons” para o país.
O DHS também destacou que as pessoas que optarem pela autodeportação podem manter a possibilidade de retornar legalmente ao país no futuro, embora não tenha especificado quais seriam os programas ou caminhos disponíveis para tal.





