Em mais uma ofensiva contra o contrabando e o comércio ilegal de mercadorias, a Polícia Rodoviária Federal (PRF), em parceria com a Receita Federal, apreendeu nesta quinta-feira (8) uma grande carga de produtos irregulares na BR-153, na altura do município de Uruaçu, região norte de Goiás. Avaliada em mais de R$ 2 milhões, a carga estava sendo transportada em um caminhão que foi interceptado durante fiscalização de rotina no km 192 da rodovia federal.
O veículo foi conduzido ao depósito da Receita Federal, localizado em Aparecida de Goiânia, onde a carga foi aberta oficialmente e detalhada. Entre os itens encontrados estavam medicamentos de venda proibida, produtos eletrônicos de alto valor agregado e cosméticos importados, todos sem comprovação fiscal e sem autorização da Anvisa para comercialização.
Remédios abortivos, anabolizantes e inibidores de apetite
O que mais chamou atenção dos agentes foi a quantidade de produtos farmacêuticos ilegais, como:
- Cerca de 3 mil comprimidos de medicamentos abortivos — cuja importação, venda e distribuição são proibidas por lei;
- 1.500 frascos de anabolizantes;
- Mil comprimidos de inibidores de apetite.
Esses medicamentos representam sérios riscos à saúde pública, por não possuírem controle de origem, condições adequadas de armazenamento, e por serem comumente utilizados de forma indiscriminada. Muitos desses produtos têm sido vendidos ilegalmente por redes sociais e aplicativos de mensagem, sem qualquer orientação médica.
Eletrônicos de alto valor
Além dos medicamentos, a carga incluía:
- Mais de 40 smartphones de marcas conhecidas, incluindo diversos modelos da Apple;
- Apple Watches, AirPods e iPads;
- Cerca de 60 unidades de cigarros eletrônicos (também proibidos no Brasil);
- 22 frascos de perfumes importados;
- Outros acessórios e equipamentos eletrônicos sem nota fiscal.
Comércio clandestino no Dia das Mães
Segundo informações da Receita Federal, a carga seria direcionada a centros comerciais informais no Norte e Nordeste do país, aproveitando o aumento no consumo em datas comemorativas, como o Dia das Mães. A estratégia das quadrilhas seria impulsionar as vendas ilegais nesse período, ofertando produtos com valores atrativos e sem garantia ou procedência legal.
O Grupo de Operações com Cães (GOC) da PRF foi essencial na identificação de compartimentos ocultos no caminhão, onde parte dos produtos estava escondida de forma estratégica para burlar a fiscalização.
Aumento nas apreensões em 2025
As estatísticas reforçam a preocupação com o uso da BR-153 por organizações criminosas. De acordo com levantamento da PRF, apenas nos quatro primeiros meses de 2025, foram registradas 52 apreensões por contrabando e descaminho em rodovias federais goianas. Desse total, aproximadamente 70% ocorreram na BR-153, consolidando a via como um dos principais corredores do crime organizado no Centro-Oeste.
Ações paralelas: ouro e cigarros contrabandeados
A mesma rodovia foi palco de outras duas operações importantes no dia 29 de abril. No trecho de Itumbiara (sul do estado), a PRF realizou abordagens que levaram à apreensão de metais preciosos sem origem comprovada e cigarros contrabandeados.
Em uma das ações, um veículo Toyota Corolla foi parado no km 389 e, após contradições nas respostas do condutor, os policiais encontraram 5,32 kg de metais com aparência de ouro e prata escondidos em compartimentos secretos. O valor estimado dos materiais é de cerca de R$ 800 mil, e nenhuma documentação fiscal foi apresentada.
Em outra ocorrência, os agentes identificaram o transporte de cigarros de origem estrangeira, também de forma ilegal, confirmando a recorrência desse tipo de crime na região.
As mercadorias apreendidas serão analisadas pela Receita Federal, e os responsáveis responderão por crimes como contrabando, descaminho, tráfico de medicamentos e transporte de mercadoria proibida. O caminhão e os veículos envolvidos permanecem apreendidos, e a Polícia Federal poderá ser acionada para aprofundar as investigações.
As ações integram o esforço conjunto entre as forças de segurança para desmantelar rotas do crime e combater o comércio ilegal, especialmente em períodos de maior movimentação econômica.





