Na noite de quarta-feira (14), uma misteriosa “bola de fogo” cruzou os céus do Brasil, causando curiosidade e espanto em moradores de várias regiões, incluindo o Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais e o Sul da Bahia. Diversas pessoas registraram o fenômeno, compartilhando fotos e vídeos nas redes sociais, inicialmente acreditando tratar-se de um meteoro. No entanto, especialistas esclareceram que o que foi avistado no céu era, na verdade, lixo espacial proveniente de um foguete da SpaceX.
De acordo com o Projeto Exoss, uma ONG internacional que estuda meteoros e bólidos, o fenômeno foi causado pela reentrada de um pedaço de um foguete Falcon 9, utilizado pela SpaceX, que estava em órbita desde 2014. O cientista planetário Marcelo de Cicco, coordenador de pesquisas do Projeto Exoss no Brasil, confirmou que se tratava de lixo espacial, mais especificamente o estágio do foguete Asiasat 8 Falcon R/N, lançado para colocar um satélite de comunicação em órbita.
O evento teve início por volta das 18h24, quando o objeto iluminado foi visto em Brasília. Em poucos minutos, o “objeto em chamas” percorreu uma distância de cerca de 1.500 km, passando pelo céu de várias cidades e desaparecendo no horizonte da Bahia às 18h28. A velocidade de reentrada foi de 6 a 7 km/s, o que é característico de objetos que retornam à atmosfera terrestre a partir de órbitas.
Marcelo Zurita, astrônomo e diretor técnico da Rede Brasileira de Monitoramento de Meteoros (BRAMON), também confirmou que o objeto observado correspondia com precisão a um estágio de foguete Falcon 9 que estava previsto para reentrar na atmosfera. Esse estágio, identificado com o número NORAD 40108, havia sido utilizado no lançamento do satélite AsiaSat 8, em 2014, e desde então permaneceu em órbita como lixo espacial. Com o tempo, sua trajetória foi decaindo até que sua reentrada fosse registrada esta semana.
Apesar da presença de luz intensa e a aparência de um meteorito, o fenômeno foi muito bem explicado pela análise das imagens capturadas. O risco representado por esse tipo de reentrada de lixo espacial foi considerado baixo, pois a maior parte do material que se desintegra na atmosfera, embora as partículas que atingem o solo possam gerar preocupações. A boa notícia é que, até o momento, não houve registros de danos à população.
Este não foi o primeiro caso de reentrada de um foguete da SpaceX visível no Brasil. Em 2022, um fenômeno semelhante ocorreu na região Sul do país, também causado pela reentrada do segundo estágio de um foguete Falcon 9.
Para os moradores que presenciaram o evento, a reentrada de lixo espacial foi um espetáculo raro e impressionante, mas também serve como um lembrete da quantidade de detritos espaciais que permanecem em órbita da Terra após o lançamento de satélites e foguetes.
Assista o vídeo do momento em que pessoas se assustam com os destroços.





