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Explosão nas vendas de tadalafila no Brasil levanta preocupações sobre uso indevido e riscos à saúde

Foto: Rede Globo/Reprodução

Nos últimos dez anos, o consumo de tadalafila disparou no Brasil, saltando de pouco mais de 2 milhões de caixas vendidas em 2013 para mais de 47 milhões em 2023. Originalmente indicada para tratar a disfunção erétil, a substância passou a ser usada fora de sua finalidade médica, especialmente por jovens e praticantes de atividades físicas, acendendo um alerta entre especialistas em saúde.

Acreditando que o medicamento possa aumentar a performance nos treinos por seu efeito vasodilatador, muitos têm recorrido à tadalafila como um tipo de suplemento pré-treino. No entanto, médicos reforçam que não há respaldo científico para esse tipo de aplicação e que o uso sem prescrição pode causar sérios efeitos adversos, como pressão baixa, alterações no ritmo cardíaco, infarto e até AVC.

Casos de uso indevido por adolescentes também vêm sendo registrados. Um exemplo recente ocorreu em Floriano (PI), onde um estudante passou mal após consumir um suco contendo tadalafila oferecido por colegas na escola. O episódio chamou atenção para os perigos do acesso fácil ao medicamento e da automedicação sem acompanhamento médico.

A internet tem desempenhado papel importante na disseminação do uso recreativo do remédio. Influenciadores digitais têm promovido versões “mais atraentes” do medicamento, como gomas mastigáveis com promessa de efeitos estimulantes. Um dos casos que gerou maior repercussão envolveu o influenciador Jon Vlogs, criticado por órgãos de saúde ao divulgar o produto sem alertar sobre seus riscos.

Como resposta à crescente popularidade de produtos contendo tadalafila vendidos de forma irregular, a Anvisa determinou a proibição da venda de balas do tipo “gummy” com o princípio ativo. A medida visa conter a banalização do medicamento e preservar a saúde da população. Especialistas destacam ainda a necessidade urgente de ações educativas, além de uma fiscalização mais rigorosa sobre a venda e propaganda do fármaco.

O crescimento exponencial no uso da tadalafila no Brasil revela uma tendência preocupante: a automedicação impulsionada por desinformação e modismos. Para evitar tragédias e proteger a saúde pública, é essencial que autoridades sanitárias, profissionais da área médica e a sociedade em geral unam esforços para promover o uso consciente e seguro de medicamentos.

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