Goiás enfrenta um cenário alarmante com o aumento de 26% nos casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) nas últimas semanas, conforme dados da Secretaria Estadual de Saúde (SES-GO). Este aumento é especialmente preocupante, pois a síndrome afeta principalmente crianças e idosos, grupos considerados mais vulneráveis devido ao clima seco e à baixa cobertura vacinal no estado.
A chegada das temperaturas mais baixas e a umidade característica do outono e inverno trazem consigo um aumento da circulação de vírus respiratórios, como os da Influenza A e B, o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) e o SARS-CoV-2. Essas condições favorecem a propagação de doenças que afetam o trato respiratório, causando agravamentos em pessoas com sistemas imunológicos mais frágeis, como as crianças pequenas.
A bronquiolite, uma infecção viral que atinge principalmente o sistema respiratório de crianças menores de 2 anos, está entre as complicações mais graves associadas à SRAG nesse grupo etário. A pediatra Mirna de Sousa, membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), destaca a vulnerabilidade das crianças durante essa temporada. “O sistema imunológico das crianças ainda está em desenvolvimento, o que torna mais difícil para o corpo delas combater as infecções respiratórias com a mesma eficácia que o de um adulto”, explica a especialista.
Além das condições climáticas e do aumento na transmissão de vírus respiratórios, outro fator que agrava a situação é a baixa cobertura vacinal no estado. De acordo com o boletim InfoGripe da Fiocruz, Goiás apresenta um número preocupante: apenas 15,99% da população foi imunizada contra a gripe, número significativamente abaixo da média nacional de 18,19%. Isso aumenta o risco de infecções graves, já que grande parte das internações por SRAG em crianças poderia ser evitada com a vacinação.
“A vacina da gripe precisa ser aplicada anualmente, pois o vírus sofre mutações constantes, e a vacinação ajuda a reduzir a incidência de complicações graves, que podem resultar em hospitalizações e até óbitos”, enfatiza Mirna. Ela ainda alerta que, quando a cobertura vacinal está baixa, o número de casos graves tende a aumentar, sobrecarregando os serviços de saúde e gerando maior pressão sobre o sistema hospitalar.
A pediatra também ressalta que, além da vacinação, os pais e responsáveis devem estar atentos aos sinais de agravamento dos quadros respiratórios, como febre alta, dificuldade para respirar e tosse persistente. Esses sintomas podem indicar que a situação está se tornando mais grave e, nesses casos, é essencial procurar imediatamente um médico.
Para reduzir o risco de infecções e evitar a propagação de doenças respiratórias, especialistas recomendam manter os ambientes bem ventilados, evitar aglomerações e, principalmente, reforçar a vacinação contra a gripe e outras doenças respiratórias.
As autoridades de saúde reforçam a importância da prevenção e do cuidado com a saúde respiratória, especialmente entre as crianças, que são as mais afetadas nesse período de clima seco e baixa imunização.





