O Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), liderado pelo presidente Nicolás Maduro, conquistou uma vitória expressiva nas eleições legislativas e regionais realizadas recentemente no país. Segundo dados oficiais do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), o PSUV venceu 23 dos 24 cargos de governador em disputa, ficando apenas com a oposição o estado de Cojedes, localizado na região centro-oeste do país.
Nas eleições legislativas, a coligação governista alcançou 82,68% dos votos nas listas nacionais, enquanto a apuração dos resultados por circunscrição eleitoral ainda está em andamento. O CNE também informou que a participação nas urnas foi de pouco mais de 42%, embora a oposição conteste esse número.
O processo eleitoral foi marcado por tensões, incluindo a prisão de cerca de 70 pessoas antes da votação. Entre os detidos está Juan Pablo Guanipa, figura próxima à líder da oposição Maria Corina Machado, acusado pelo governo de integrar uma “rede terrorista” com o objetivo de sabotar o pleito. Além disso, mais de 400 mil membros das forças de segurança foram mobilizados para garantir a ordem durante o evento.
Após as eleições presidenciais de julho do ano passado, que geraram protestos e episódios de violência, o clima político ainda permanece tenso. Na ocasião, houve 28 mortes e mais de 2.400 detenções, das quais aproximadamente 1.900 pessoas já foram liberadas.
Em pronunciamento após a vitória, Maduro celebrou o resultado como um triunfo da “paz e estabilidade” para o país. Ele ressaltou a força da “Revolução Bolivariana” e reafirmou o legado do ex-presidente Hugo Chávez, fundador do movimento chavista.
Entretanto, a oposição segue crítica ao processo eleitoral. Maria Corina Machado afirmou que as eleições foram uma “farsa” e fez um apelo às Forças Armadas para que cumpram seu papel constitucional, garantindo a soberania popular. Henrique Capriles, também candidato e eleito na lista nacional, defendeu a participação nas eleições como forma de manter a voz da oposição na Assembleia Nacional.
Outro ponto de destaque foi a eleição de um governador para a região do Essequibo, área rica em petróleo cuja soberania é disputada entre Venezuela e Guiana. O representante venezuelano Neil Villamizar foi eleito numa votação restrita, apesar da ausência de sessões eleitorais no território controlado por Georgetown. A Guiana considera o pleito uma ameaça, e o presidente venezuelano Maduro prometeu continuar reivindicando a região.





