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Israel Anuncia Construção de 22 Novos Assentamentos na Cisjordânia

Israel anuncia construção de 22 novos assentamentos na Cisjordânia e gera reações internacionais
Prédios sendo levantados em um novo assentamento israelense em Aliyah, ao sul de Nablus, em plena Cisjordânia ocupada. Foto: Reprodução

 

 

O governo de Israel confirmou nesta quinta-feira (29) a criação de 22 novos assentamentos judaicos na Cisjordânia ocupada, território reivindicado pelos palestinos para a criação de um futuro Estado. A medida representa a maior expansão desse tipo desde os Acordos de Oslo, firmados nos anos 1990, nos quais Israel havia se comprometido a não ampliar as colônias existentes.

 

O anúncio foi feito pelo ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, representante da ala mais à direita do governo liderado por Benjamin Netanyahu. Smotrich classificou a decisão como “histórica” e justificou a medida como parte do plano de “desenvolvimento” da região, referindo-se à Cisjordânia como “Judeia e Samaria” — terminologia bíblica usada por setores conservadores e religiosos em Israel.

 

Segundo ele, a proposta inclui reocupar áreas já desocupadas, como os assentamentos de Homesh e Sa-Nur, esvaziados em 2005 durante o processo de retirada unilateral da Faixa de Gaza. Um mapa divulgado pelo partido Likud mostra que os novos assentamentos serão distribuídos ao longo de toda a Cisjordânia, o que tende a dificultar ainda mais a continuidade territorial de uma eventual nação palestina.

 

A ONG israelense Paz Agora, que acompanha e denuncia a expansão de assentamentos, criticou duramente o plano, acusando o governo de abandonar qualquer aparência de compromisso com o processo de paz e adotar abertamente uma política de anexação dos territórios ocupados.

 

A Organização das Nações Unidas (ONU) e diversos países já manifestaram preocupação com a medida, que consideram ilegal pelo direito internacional e um obstáculo direto à solução de dois Estados, defendida por grande parte da comunidade internacional.

 

A decisão ocorre em meio ao prolongamento da guerra na Faixa de Gaza, que já dura mais de um ano e meio, e vem gerando crescente isolamento diplomático para Israel, mesmo entre seus aliados históricos. Ainda assim, o governo Netanyahu continua apostando em medidas controversas de segurança e expansão territorial.

 

Estima-se que atualmente mais de 490 mil israelenses vivam em assentamentos na Cisjordânia, em meio a cerca de 3 milhões de palestinos. A construção de novas colônias pode agravar ainda mais os conflitos na região e comprometer as perspectivas de retomada das negociações de paz.

 

Editor Sucesso