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Ar seco e queimadas aumentam riscos à saúde respiratória das crianças e exigem atenção especial no outono

Foto: Imagem Ilustrativa/Reprodução
Foto: Imagem Ilustrativa/Reprodução

Durante o outono, a queda na umidade relativa do ar, somada ao aumento das queimadas, cria um ambiente propício para o surgimento e agravamento de doenças respiratórias em crianças. A fumaça liberada pelas queimadas contém micropartículas tóxicas que, ao serem inaladas, irritam as vias aéreas e inflamam os brônquios, especialmente em crianças com histórico de alergias, asma ou bronquite. Segundo o pediatra Wesley Medeiros, diretor médico do Hospital América da Hapvida, esse cenário representa um risco duplo à saúde infantil: “A fumaça carrega elementos que provocam inflamação nos pulmões, enquanto o ar seco compromete a proteção natural das mucosas nasais, facilitando a ação de alérgenos e vírus”.

Para evitar complicações respiratórias, o especialista recomenda cuidados preventivos simples, mas fundamentais. A hidratação constante é essencial, assim como a lavagem nasal frequente com soro fisiológico. Em casa, o uso de umidificadores ou toalhas molhadas nos ambientes ajuda a manter o ar menos seco. Já a limpeza deve ser feita com pano úmido, substituindo vassouras que levantam poeira. Além disso, Medeiros orienta que as crianças evitem atividades ao ar livre entre 10h e 16h, período em que a umidade do ar costuma ser ainda mais baixa. O médico alerta também sobre o uso de medicamentos sem prescrição, que podem mascarar sintomas ou agravar o quadro. “O ideal é buscar orientação médica assim que surgirem sinais como tosse persistente, febre alta, chiado no peito ou dificuldade para respirar”, afirma.

Estudos reforçam a gravidade do problema. Um levantamento do Instituto de Saúde Infantil, realizado em 2023, mostrou que em regiões afetadas por queimadas, as internações por asma infantil aumentaram até 42% durante o outono. Já dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) revelam que cidades como Cuiabá, Goiás e São Paulo registraram índices de umidade abaixo dos 20% em 2024 — patamar semelhante ao de regiões desérticas. Além disso, entre maio e agosto de 2023, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) identificou mais de 76 mil focos de incêndio, principalmente em áreas agrícolas, o que intensifica a emissão de poluentes que podem se espalhar por centenas de quilômetros.

Os efeitos no organismo infantil vão desde sintomas agudos, como tosse seca, olhos ardendo e sangramentos nasais, até quadros mais graves. Crianças com asma, por exemplo, têm risco triplicado de necessitar de suporte com oxigênio após exposição à fumaça, segundo um estudo publicado na revista Pediatrics em 2022. Por isso, identificar sinais de agravamento é crucial. Sintomas como cansaço extremo, coloração arroxeada nos lábios ou falta de ar significativa exigem atenção médica imediata. O acompanhamento de tratamentos crônicos, como no caso de crianças asmáticas, deve ser mantido com rigor durante esse período.

Apesar dos desafios impostos pelo clima, é possível atravessar a estação de forma saudável com medidas simples e eficazes. “O outono pode ser bonito e seguro para as crianças, desde que os cuidados certos sejam tomados. Prevenir agora significa menos correria para o pronto-socorro no inverno”, conclui o especialista.

Editor Sucesso