Na manhã desta quarta-feira (18), um avião transportando parte da comitiva de autoridades brasileiras que estava retida em Israel pousou em Natal (RN) às 10h. O grupo, formado por nove pessoas, entre elas quatro prefeitos, teve sua saída atrasada devido ao fechamento do espaço aéreo israelense em função do conflito com o Irã.
A viagem da comitiva teve início na Arábia Saudita, passando pela Jordânia antes do retorno ao Brasil. O avião saiu do Aeroporto Regional de Tabuk, fez escalas em Maiorca e Cabo Verde, até chegar a Natal. Segundo a assessoria do prefeito de João Pessoa (PB), Cícero Lucena, que estava entre os passageiros, ele seguirá de carro até a capital paraibana.
Nas redes sociais, o prefeito de Nova Friburgo (RJ), Johnny Maycon, expressou o alívio pelo retorno, descrevendo os últimos dias como momentos de muita apreensão e preocupação. Já o prefeito de Belo Horizonte (MG), Álvaro Damião, informou que seguirá de Natal para a capital mineira por via aérea.
Contexto da viagem e o conflito
Os políticos brasileiros estavam em Israel a convite do governo local para participar de seminários sobre segurança pública. No entanto, o agravamento do conflito entre Israel e Irã, iniciado na última sexta-feira (13), causou o fechamento do espaço aéreo e obrigou a comitiva a buscar alternativas para deixar o país.
O Itamaraty destacou que havia um alerta consular vigente desde outubro de 2023, recomendando evitar viagens não essenciais a Israel, mas que a comitiva optou por permanecer no país mesmo assim. No total, cerca de 50 autoridades brasileiras, incluindo o governador de Rondônia, Marcos Rocha, estavam em Israel durante o conflito.
Durante o período de tensão, os integrantes da comitiva tiveram que se abrigar em bunkers para se proteger dos ataques de mísseis. Um grupo de 12 pessoas atravessou a fronteira terrestre para a Jordânia e, em seguida, chegou à Arábia Saudita. Destes, nove viajaram no jato particular que pousou em Natal, enquanto os demais devem retornar ao Brasil em voo comercial.
Quem estava na comitiva que deixou Israel:
- Francisco Nélio — tesoureiro da CNM
- Álvaro Damião — prefeito de Belo Horizonte (MG)
- Márcio Lobato — secretário municipal de Segurança Pública de Belo Horizonte (MG)
- Davi de Matos — chefe executivo do Centro de Inteligência, Vigilância e Tecnologia de Segurança Pública do Rio de Janeiro (Civitas)
- Welberth Porto — prefeito de Macaé (RJ)
- Claudia da Silva — vice-prefeita de Goiânia (GO)
- Cícero Lucena — prefeito de João Pessoa (PB)
- Janete Aparecida — vice-prefeita de Divinópolis (MG)
- Gilson Chagas — secretário de Segurança Pública de Niterói (RJ)
- Johnny Maycon — prefeito de Nova Friburgo (RJ)
- Francisco Vagner — secretário de Planejamento de Natal (RN)
- Flávio Guimarães — vereador do Rio de Janeiro (RJ)
A outra parte da comitiva seguiu o mesmo trajeto durante a madrugada desta quarta-feira, atravessando a Jordânia para deixar Israel. Ainda restavam 27 integrantes no país, incluindo 12 políticos, que também conseguiram sair em segurança.
Críticas e posicionamentos
O senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente do Grupo Parlamentar Brasil-Israel, criticou a atuação do Itamaraty, classificando-a como “ausência absoluta” nas negociações para retirada da comitiva. O Ministério das Relações Exteriores rebateu, afirmando que a saída dos brasileiros foi resultado de “estreita coordenação” entre o ministro Mauro Vieira e o chanceler jordaniano Ayman Safadi.
Conflito entre Israel e Irã
O conflito atual envolve Israel e grupos islamistas como Hamas e Hezbollah, além das tensões intensificadas com o Irã. Desde o início dos ataques israelenses contra o Irã na última sexta-feira (13), houve mais de 200 mortes no lado iraniano, incluindo civis e militares, enquanto Israel registrou 24 mortos e centenas de feridos.
Fonte – ISTOÉ





