Carregando cotação do dólar...

Aliados da OTAN recorrem à diplomacia cautelosa para manter Trump engajado

Foto: Piroschka Van De Wouw/Reuters/Reprodução
Foto: Piroschka Van De Wouw/Reuters/Reprodução

 A cúpula mais recente da OTAN, realizada nos dias 24 e 25 em Haia, expôs o clima delicado entre os principais líderes ocidentais e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em resposta à insistência norte-americana por maior contribuição militar, os países membros aprovaram uma meta ousada: elevar os gastos com defesa para 5% do PIB até 2035. A medida visa atender à cobrança de Washington por um equilíbrio mais justo no financiamento das ações da aliança.

A estratégia adotada por boa parte dos aliados foi evitar confrontos diretos com Trump, priorizando uma abordagem diplomática e elogiosa com o objetivo de garantir o compromisso dos EUA com a defesa coletiva. O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, recomendou que os europeus se concentrem no fortalecimento militar e minimizem provocações. Ainda assim, o tom cordial adotado com o presidente americano gerou críticas de alguns observadores, que viram na atitude uma demonstração excessiva de submissão.

O momento mais tenso do encontro envolveu a Espanha. O primeiro-ministro Pedro Sánchez rejeitou a elevação dos gastos, alegando que a prioridade do país é o bem-estar social. Ele defendeu um limite de 2,1% do PIB para a defesa, o que gerou forte reação de Trump, que ameaçou impor medidas econômicas contra Madri. Após negociações, Sánchez conseguiu manter seu compromisso abaixo da nova meta, com o apoio de outros países que também demonstraram desconforto.

Enquanto os líderes discutiam os percentuais orçamentários, o conflito na Ucrânia foi colocado em segundo plano. A guerra foi mencionada de forma tímida no documento final, sem críticas diretas à Rússia, em possível tentativa de não comprometer eventuais diálogos com Moscou. O apoio à Ucrânia foi reconhecido como parte da nova meta de gastos, mas não houve avanços significativos.

O acordo firmado estabelece que 3,5% dos gastos devem ser destinados à força militar direta e 1,5% a áreas como cibersegurança. Uma revisão está prevista para 2029, para avaliar o cumprimento das metas. Embora o pacto tenha mantido a coesão do grupo, analistas alertam que a aliança pode estar se moldando aos interesses de Trump, o que colocaria em risco sua autonomia e eficácia estratégica no longo prazo.

O futuro da OTAN dependerá da habilidade dos seus membros de equilibrar compromissos de segurança com independência política. A postura adotada na cúpula revela uma aliança que, diante da pressão americana, prefere o pragmatismo da convivência a qualquer sinal de ruptura.

Editor Sucesso