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Investigação de ONG Aponta Uso de Couro Ilegal da Amazônia por Chanel e Louis Vuitton

Investigação de ONG Aponta Uso de Couro Ilegal da Amazônia por Chanel e Louis Vuitton
Edward Berthelot/Getty Images

Uma investigação recente realizada pela ONG britânica Earthsight revelou que grandes marcas de luxo, incluindo Chanel, Louis Vuitton e Coach, estão ligadas ao uso de couro proveniente de fazendas ilegais na Amazônia brasileira, em especial na região do Pará, onde o desmatamento ilegal tem crescido expressivamente. Além disso, o relatório aponta violações aos direitos territoriais de comunidades indígenas causadas pela expansão da criação de gado nessas áreas.

O que a investigação revelou?

O documento intitulado The Hidden Price of Luxury (O preço escondido do luxo) detalha como o couro utilizado por essas grifes chega até as lojas internacionais. Segundo a ONG, o couro é adquirido de fornecedores brasileiros que mantêm conexões com fazendas de gado que operam ilegalmente em áreas desmatadas. A matéria-prima é então exportada para a Europa, com destaque para a Itália, onde passa pelo processamento em curtumes, entre eles a Conceria Cristina e o curtume Faeda. Após o tratamento, o couro é enviado para as marcas que o utilizam na fabricação de bolsas, calçados e outros produtos de luxo.

Embora algumas das marcas citadas tenham negado o uso de couro brasileiro em suas coleções, a investigação traz evidências que contradizem essas declarações. Por exemplo, a Chanel chegou a interromper sua parceria com o curtume Faeda, justificando a decisão pela perda de confiança no sistema de rastreamento do fornecedor. No entanto, outras grifes continuam mantendo relações comerciais que, segundo a ONG, favorecem a cadeia produtiva ligada ao desmatamento.

Outro ponto destacado pelo relatório é a insuficiência dos mecanismos de certificação ambiental atualmente utilizados no setor. Programas como o Leather Working Group, que visam garantir a sustentabilidade na produção de couro, não asseguram a origem livre de desmatamento. Isso ocorre porque esses sistemas não obrigam os curtumes a rastrear a procedência do gado até as fazendas de origem, criando uma lacuna que permite a entrada de materiais provenientes de áreas ilegais.

Impactos socioambientais

O uso desse tipo de couro está diretamente relacionado à destruição da floresta amazônica e ao impacto negativo nas populações indígenas e comunidades tradicionais que dependem do território para sua sobrevivência. A expansão da pecuária ilegal tem sido uma das principais causas do aumento do desmatamento na região, agravando a crise ambiental e social.

Este relatório levanta questões importantes sobre a responsabilidade das marcas de luxo no combate ao desmatamento e na promoção da sustentabilidade. O consumo consciente e a transparência em toda a cadeia produtiva são essenciais para evitar que produtos de prestígio internacional estejam associados a práticas que violam direitos humanos e destroem o meio ambiente.

A denúncia da ONG Earthsight reforça a urgência de políticas públicas eficazes e de uma fiscalização rigorosa para proteger a Amazônia e garantir o cumprimento das leis ambientais brasileiras.

Editor Sucesso