Valdirene Leão Gomes Cruz, da etnia Yny Karajá, marcou história ao se tornar a primeira mulher cacica em Goiás, conforme reconhecimento da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). Há cerca de três meses, ela assumiu o cargo de liderança da Aldeia Buridina, em Aruanã, no noroeste do estado, localizada às margens do Rio Araguaia, junto da vice-líder Clauderice Buré.
Educadora e gestora do Colégio Estadual Indígena Maurehi, que funciona dentro da aldeia, Valdirene conciliou o desafio da gestão escolar trilíngue — que inclui as línguas Karajá (Inyrybé), português e inglês — com sua nova responsabilidade como cacica.
“Aceitei esse compromisso em nome do meu povo, um povo forte e guerreiro, ao qual sempre estive dedicada, ajudando e cuidando”, afirma a líder.
Para Valdirene, preservar a cultura Inã — nome que o povo Karajá usa para se referir a si mesmo, significando “nós” ou “a gente” em sua língua — é a missão principal do seu mandato. Ela destaca a importância de manter viva a tradição oral e escrita, além dos artesanatos, transmitindo-os às futuras gerações.
Desde a adolescência, Valdirene já atuava na organização da comunidade, tendo inclusive assumido interinamente a liderança após o falecimento do então cacique, irmão caçula de seu pai. Em 2024, ela apoiou a liderança do cacique Raul Rabacate, que veio a falecer no ano passado.
A aldeia Buridina, situada no coração de Aruanã, enfrenta desafios comuns a muitas comunidades indígenas em áreas urbanas, como a pressão pelo território, que está cada vez mais limitado pela expansão dos espaços urbanos não indígenas.
“Temos muitas demandas, desde território até educação e saúde, e o principal é garantir que a cultura Inã continue viva”, reforça Valdirene.
Além disso, a cacica busca fortalecer laços com os parentes da Ilha do Bananal — maior aldeia Karajá — visando obter recursos para promover a cultura e trazer membros da comunidade para Goiás, incentivando o resgate e a valorização das tradições.





