O Sistema Único de Saúde (SUS) passará a oferecer dois novos tratamentos hormonais para endometriose ainda em 2025, beneficiando milhares de mulheres que sofrem com dores intensas e sintomas incapacitantes. As novidades incluem o Dispositivo Intrauterino Liberador de Levonorgestrel (DIU-LNG) e o anticoncepcional hormonal desogestrel, que atuam impedindo o crescimento do tecido endometrial fora do útero.
As portarias que autorizam a distribuição gratuita dessas opções foram publicadas em maio, dando ao SUS até 180 dias para garantir o acesso aos medicamentos.
O que é endometriose?
A endometriose é uma doença crônica e inflamatória caracterizada pelo crescimento do tecido semelhante ao revestimento interno do útero (endométrio) em locais onde não deveria existir, como ovários, trompas, bexiga, intestinos e até pulmões. Esse tecido reage ao ciclo menstrual de forma irregular, provocando dor intensa, inflamação e, em alguns casos, pode causar infertilidade.
Os sintomas incluem cólicas muito fortes, dores fora do período menstrual, desconforto durante as relações sexuais e problemas intestinais e urinários.
Como funcionam os novos tratamentos?
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DIU-LNG: O dispositivo intrauterino libera levonorgestrel diretamente no útero, bloqueando o crescimento do tecido endometrial fora dele. É indicado para pacientes que não podem usar contraceptivos orais combinados. O dispositivo tem duração de até cinco anos, facilitando o seguimento do tratamento e melhorando a qualidade de vida.
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Desogestrel: É um anticoncepcional que atua principalmente impedindo a ovulação e, assim, ajuda a controlar o crescimento do endométrio fora do útero. Pode ser prescrito já na fase inicial de avaliação clínica, mesmo antes do diagnóstico por exames de imagem.
Importante destacar que, no SUS, esses medicamentos são usados exclusivamente para tratar a endometriose, não sendo indicados como métodos contraceptivos para prevenção da gravidez.
Atualização tecnológica do SUS
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou que a incorporação desses tratamentos representa um avanço importante na atualização tecnológica do sistema público de saúde. Segundo ele, a decisão foi baseada nas melhores evidências científicas e reforça o compromisso do SUS com a qualidade de vida das pacientes.
Impacto da doença no Brasil
A endometriose atinge entre 5% e 15% das mulheres em idade reprodutiva no Brasil, conforme dados do Ministério da Saúde. Globalmente, a doença acomete cerca de 10% das mulheres, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), afetando mais de 190 milhões de pessoas.
As causas ainda não são totalmente compreendidas, mas acredita-se que fatores genéticos, hormonais, imunológicos e o fenômeno da menstruação retrógrada estejam envolvidos.
Tratamentos já disponíveis no SUS
Atualmente, o SUS oferece tratamentos clínicos e cirúrgicos para endometriose:
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Tratamento clínico: inclui terapia hormonal com progestágenos, contraceptivos orais combinados e análogos do hormônio GnRH, além de analgésicos para controle da dor.
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Tratamento cirúrgico: procedimentos como videolaparoscopia, laparotomia e histerectomia são indicados em casos mais complexos, sempre após avaliação médica detalhada.
O Ministério da Saúde informa que o atendimento integral às pacientes com endometriose tem crescido significativamente. Entre 2022 e 2024, houve um aumento de 30% no diagnóstico da doença na Atenção Primária e 70% nos atendimentos na Atenção Especializada, passando de 31.729 para 53.793 procedimentos.
As internações também cresceram 32% no período, totalizando mais de 34 mil registros.





