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Valparaíso e Luziânia Vão Receber Mosquitos com Bactéria Que Impede a Transmissão da Dengue

Valparaíso e Luziânia vão receber mosquitos com bactéria que impede a transmissão da dengue
Divulgação/Fiocruz

Dois municípios goianos situados no Entorno do Distrito Federal — Valparaíso de Goiás e Luziânia — se preparam para receber uma nova estratégia de combate às arboviroses. A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) anunciou que vai liberar, a partir do segundo semestre deste ano, mosquitos Aedes aegypti contaminados com a bactéria Wolbachia, método inovador já utilizado em vários países com resultados promissores no controle da dengue, zika e chikungunya.

Conhecida como “Método Wolbachia”, a técnica consiste na introdução de uma bactéria natural presente em cerca de 60% dos insetos do planeta no organismo do mosquito transmissor da dengue. Essa bactéria impede o desenvolvimento dos vírus dentro do mosquito, o que, na prática, bloqueia a transmissão para os seres humanos.

Ao serem soltos na natureza, os mosquitos com Wolbachia se reproduzem com os mosquitos locais e passam a bactéria adiante, o que gradualmente modifica toda a população do Aedes aegypti na região. O método é seguro, não envolve engenharia genética, é considerado ecologicamente correto e já faz parte das recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Medida é complementar e segue recomendações internacionais

A utilização da tecnologia será feita em caráter complementar, ou seja, não substitui as medidas tradicionais de controle da dengue, como a eliminação de criadouros, vistorias domiciliares e campanhas educativas. O objetivo é potencializar a eficácia das ações já existentes, especialmente diante do aumento dos casos nas últimas décadas.

Embora Goiás tenha registrado queda de 69% nos casos em comparação ao mesmo período de 2024, o cenário ainda é preocupante. Somente neste ano, o estado contabilizou mais de 123 mil notificações da doença, com 72 mil casos confirmados e 53 mortes oficialmente registradas até julho.

“A tecnologia da Wolbachia é uma aliada valiosa, mas não podemos relaxar nos cuidados. É fundamental manter a rotina de combate ao mosquito e, principalmente, não deixar água parada”, alertou a subsecretária de Vigilância em Saúde da SES-GO, Flúvia Amorim.

Resultados expressivos em outras cidades

A técnica já foi implementada com sucesso em outras cidades brasileiras, como Niterói (RJ), Belo Horizonte (MG) e Campo Grande (MS). De acordo com dados divulgados pela Wolbito do Brasil — empresa responsável pela soltura dos mosquitos e detentora da maior biofábrica de Wolbachia do mundo — em Niterói, a incidência de dengue caiu até 70% após a adoção da estratégia.

A implementação é realizada em parceria com o Ministério da Saúde e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), instituição de referência nacional em saúde pública. O gerente de implementação da Wolbito, Gabriel Sylvestre, explicou que os efeitos mais visíveis da medida costumam aparecer entre seis meses e dois anos após a liberação dos primeiros mosquitos.

“Apesar do tempo de maturação da técnica, os impactos positivos costumam ser sentidos já na temporada seguinte. Isso demonstra a eficácia e o potencial transformador da Wolbachia no controle das doenças transmitidas pelo Aedes”, afirmou.

Tecnologia é natural e autossustentável

O método se destaca não apenas por sua eficiência, mas também por suas características naturais. A Wolbachia não é artificial e já existe na natureza, sendo encontrada em borboletas, moscas e abelhas. A introdução da bactéria no Aedes aegypti foi realizada por pesquisadores da Austrália em 2008, e desde então, ela tem se mostrado uma solução promissora e de longo prazo para combater epidemias virais.

A SES-GO reitera que os mosquitos com Wolbachia não oferecem nenhum risco à população, não causam doenças e tampouco provocam reações alérgicas ou ambientais. Como não há diferença visível entre um mosquito comum e um com Wolbachia, os cuidados devem ser mantidos da mesma forma.

Futuro do combate à dengue em Goiás

Com essa medida inovadora, Goiás se junta a um seleto grupo de estados que buscam soluções modernas e sustentáveis para enfrentar epidemias de arboviroses. Segundo a Secretaria de Saúde, o método poderá ser expandido futuramente para outras cidades do estado, a depender dos resultados obtidos em Valparaíso e Luziânia.

Além disso, a SES orienta que a população continue colaborando com a prevenção e denuncie possíveis focos do mosquito Aedes aegypti. Canais de atendimento das prefeituras e o telefone da Vigilância Sanitária seguem disponíveis para receber informações da comunidade.

A estratégia reforça o compromisso do estado em proteger vidas, inovar na saúde pública e reduzir o impacto de doenças que há décadas afetam milhões de brasileiros.

Editor Sucesso