A Polícia Civil de Goiás prendeu preventivamente, nesta quarta-feira (16/7), o pastor Gilvan Gonçalves dos Santos, de 55 anos, acusado de praticar estupro de vulnerável na modalidade virtual. O crime teria ocorrido contra uma adolescente de 13 anos que frequentava a igreja liderada por ele em Valparaíso de Goiás, no Entorno do Distrito Federal.
A investigação teve início após a menina relatar à mãe que vinha recebendo mensagens impróprias do líder religioso. Em conversas por texto e áudio, o pastor chamava a vítima de “bebezinha” e fazia insistentes pedidos para que ela enviasse fotos íntimas, incluindo imagens da calcinha que estivesse usando. Ele também pedia que a menina aplicasse “óleo ungido” no corpo e fazia convites para que fosse até sua residência buscar chocolates — supostamente como parte de uma bênção espiritual.
A mãe procurou imediatamente a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Valparaíso, que deu início à investigação. Segundo a delegada Samya Noleto, responsável pelo caso, Gilvan se aproveitou de um momento de vulnerabilidade emocional da menina para tentar manipular a situação sob o pretexto de aconselhamento religioso.
Durante as diligências, o pastor foi localizado escondido em uma kitnet no Jardim Ingá, em Luziânia (GO), após três denúncias anônimas indicarem sua presença no local. Ele não resistiu à prisão, mas, segundo a polícia, relutou em se entregar.
Além da prisão, os policiais cumpriram mandado de busca e apreensão na residência do acusado, onde recolheram computadores, celulares e tablets que poderão conter provas das conversas e possíveis vítimas adicionais. A delegada-chefe informou ainda que este não é o primeiro caso envolvendo Gilvan: em 2022, ele já havia sido acusado de abusar sexualmente de uma menina de 10 anos, utilizando o mesmo tipo de abordagem.
Segundo a polícia, os elementos reunidos até o momento apontam para um padrão de comportamento predatório por parte do pastor, que usava a posição de liderança e respeito dentro da comunidade religiosa para ganhar a confiança das vítimas e cometer os abusos. A denúncia foi formalizada como estupro de vulnerável, já que a adolescente tem menos de 14 anos — idade em que o consentimento legal não é reconhecido pela legislação penal brasileira.
Gilvan está agora preso preventivamente na unidade prisional de Sucupira, em Valparaíso. A polícia segue investigando se há outras vítimas, e o material apreendido será periciado para auxiliar no andamento do inquérito.






