Nesta terça-feira, 22 de julho de 2025, o governo dos Estados Unidos anunciou oficialmente a retirada do país da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A decisão foi comunicada pelo Departamento de Estado americano, que justificou a saída afirmando que a permanência na agência não estaria alinhada aos interesses nacionais dos EUA.
A porta-voz do Departamento de Estado, Tammy Bruce, destacou que a Unesco tem promovido agendas consideradas conflituosas e excessivamente influenciadas por uma visão globalista, especialmente em relação aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Segundo Bruce, essa postura da organização vai contra a política externa americana conhecida como “América em Primeiro Lugar”, adotada durante a administração Trump.
Fundada em 1945 e sediada em Paris, a Unesco tem como missão principal promover a paz e a cooperação internacional por meio da educação, ciência, cultura e proteção do patrimônio mundial. A agência é responsável por reconhecer locais de grande importância histórica e natural, incluindo monumentos famosos como o Grand Canyon, nos Estados Unidos, e a cidade antiga de Palmira, na Síria. A saída dos EUA representa um impacto financeiro e simbólico significativo, já que o país contribui atualmente com cerca de 8% do orçamento total da organização.
Essa não é a primeira vez que os Estados Unidos se afastam da Unesco. Em 1984, durante a administração Reagan, o país retirou seu apoio em meio a críticas sobre a má gestão financeira da agência e acusações de viés político contra os interesses americanos. Depois de quase 20 anos, em 2003, sob o governo de George W. Bush, os Estados Unidos retornaram, após a Unesco promover reformas internas que tentaram corrigir os problemas apontados.
Durante seu primeiro mandato, o presidente Donald Trump tomou diversas medidas para reduzir o envolvimento dos EUA em organismos internacionais. Entre essas ações, destacam-se a saída da Organização Mundial da Saúde (OMS), do Conselho de Direitos Humanos da ONU, do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas e do acordo nuclear com o Irã. Essas decisões refletem uma visão mais isolacionista e voltada para os interesses nacionais, em oposição a compromissos multilaterais globais.
Com a posse do presidente Joe Biden, em 2021, muitas dessas medidas foram revertidas. O governo Biden retomou a participação dos EUA em órgãos como a OMS, a Unesco e o Acordo de Paris, buscando reposicionar o país em temas globais relacionados à saúde, meio ambiente e cultura. No entanto, com o retorno de Trump à Casa Branca, o país voltou a se afastar dessas instituições, confirmando novamente a retirada da Unesco.
Além da saída da Unesco, o governo Trump anunciou também a intenção de retirar os Estados Unidos da OMS e suspender o financiamento da UNRWA, agência da ONU dedicada ao atendimento de refugiados palestinos no Oriente Médio. Essas ações fazem parte de uma revisão mais ampla da participação americana nas Nações Unidas, processo que está previsto para ser concluído até agosto de 2025.
O impacto dessa decisão é significativo tanto para a Unesco quanto para o cenário internacional. A saída de um dos principais financiadores limita os recursos disponíveis para projetos culturais, educacionais e científicos em diversos países. Para os Estados Unidos, a medida reforça a postura de priorizar políticas internas em detrimento de compromissos multilaterais.
A Unesco continua sendo uma das principais entidades globais que promovem o diálogo cultural e a preservação do patrimônio histórico, atuando em mais de 190 países. A saída dos Estados Unidos marca um novo capítulo nas relações do país com organismos internacionais, refletindo as mudanças de rumos políticos que influenciam diretamente a participação americana no cenário global.





