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Comitê Olímpico dos EUA Proíbe Mulheres Trans em Competições Femininas

Comitê Olímpico dos EUA Proíbe Mulheres Trans em Competições Femininas
Foto: AP Photo/Alex Brandon

O Comitê Olímpico e Paralímpico dos Estados Unidos (USOPC) anunciou nesta segunda-feira (21) uma nova diretriz que exige que todas as federações esportivas do país impeçam a participação de mulheres trans em categorias femininas. A decisão segue uma ordem executiva do presidente Donald Trump, publicada em fevereiro deste ano, que prevê o corte de recursos federais para entidades que permitam a participação de atletas trans em competições femininas.

A medida foi comunicada oficialmente por meio de uma carta enviada às confederações nacionais, assinada pela CEO do USOPC, Sarah Hirshland, e pelo presidente Gene Sykes. No documento, a entidade afirma que, por possuir uma carta federal, tem a obrigação de cumprir as determinações do governo. Eles também ressaltaram que mantêm um diálogo contínuo e respeitoso com o governo desde a assinatura da ordem executiva.

Segundo o USOPC, o objetivo da nova política é assegurar um ambiente justo e seguro para as competições femininas, e, por isso, todas as federações deverão atualizar suas regras conforme a nova diretriz.

No entanto, a decisão gerou críticas de grupos que defendem os direitos das mulheres. Fatima Goss Graves, presidente do Centro Nacional de Direito das Mulheres, afirmou que o comitê está colocando as necessidades e a segurança de suas próprias atletas em risco para atender a pressões políticas.

O USOPC supervisiona cerca de 50 federações nacionais que abrangem desde o esporte de base até o alto rendimento, o que significa que clubes e associações locais também poderão ser afetados e obrigados a adaptar suas regras para manterem suas filiações.

Algumas federações já adotavam políticas próprias ou seguem orientações de órgãos internacionais. A World Athletics, entidade global do atletismo, está avaliando mudanças alinhadas com a nova política dos EUA. A Federação Americana de Natação, por sua vez, informou que está em contato com o comitê para entender os ajustes necessários.

Um exemplo de alteração recente vem da Federação Americana de Esgrima, que a partir de 1º de agosto restringirá a participação feminina apenas a atletas do sexo feminino, enquanto as categorias masculinas estarão abertas a pessoas trans, não binárias, intersexo e homens cisgênero.

O tema da participação de atletas trans em categorias femininas tem sido objeto de debate em diversos estados americanos, onde leis semelhantes vêm sendo aprovadas, embora algumas estejam sendo suspensas pela Justiça diante de acusações de discriminação.

Além do USOPC, a NCAA, que organiza competições universitárias nos EUA, também revisou sua política, limitando o acesso às competições femininas apenas a atletas designadas mulheres no nascimento. Essa mudança foi anunciada logo após o decreto presidencial.

No cenário internacional, a presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Kirsty Coventry, destacou a importância de proteger a categoria feminina. O COI permite que cada federação defina suas próprias regras, e algumas já impuseram restrições específicas para atletas trans, especialmente em esportes como natação, atletismo e ciclismo.

Donald Trump tem pressionado o COI para que regras mais rigorosas sejam adotadas em relação à participação de atletas trans, especialmente com os Jogos Olímpicos de Los Angeles se aproximando, em 2028.

Editor Sucesso