A China enfrenta uma onda de calor recorde que tem pressionado fortemente sua rede elétrica e gerado alertas sobre riscos à saúde, especialmente para os grupos mais vulneráveis, como idosos. O país registrou níveis históricos de consumo de energia nas últimas semanas, superando 1,5 bilhão de quilowatts pela primeira vez, segundo informações das autoridades do setor energético.
O intenso calor, que já levou as temperaturas a ultrapassarem os 35°C por vários dias consecutivos desde março — o maior número já registrado — também afeta a capacidade de geração de energia. De acordo com Chen Hui, representante da Administração Meteorológica da China, as condições elevadas têm prejudicado a produção hidrelétrica e reduzido a eficiência dos sistemas fotovoltaicos, aumentando o risco de interrupções no fornecimento.
Para mitigar possíveis quedas de energia, o governo emite alertas para que as concessionárias adotem medidas como cortes programados e transferências regionais de eletricidade. Ao mesmo tempo, há recomendações para que idosos evitem sair de casa e trabalhadores expostos ao sol reduzam suas atividades nos dias mais quentes, classificados como “dias de sauna”.
Para atender à crescente demanda, o país anunciou recentemente o início da construção da maior barragem hidrelétrica do mundo, no Tibete, com investimento estimado em US$ 170 bilhões. O projeto promete gerar cerca de 300 bilhões de quilowatts-hora por ano — valor equivalente ao consumo anual do Reino Unido —, embora a obra tenha causado preocupações entre países vizinhos como Índia e Bangladesh.
Regiões centrais, leste e sudoeste da China, como Henan, Hubei, Shandong, Sichuan, Shaanxi e Xinjiang, estão entre as mais afetadas pelo calor intenso. Nos últimos 15 dias, temperaturas superiores a 40°C foram registradas em uma área equivalente a mais do que o território da Alemanha ou do Japão. Em Xinjiang, termômetros chegaram a marcar impressionantes 48,7°C.
Especialistas alertam que o mês de agosto pode registrar temperaturas tão altas ou até maiores do que as registradas em anos anteriores, mantendo a população em alerta para os impactos do calor extremo sobre a saúde pública e o fornecimento de energia.





