O recente anúncio do ex-presidente norte-americano Donald Trump, propondo uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, acendeu um alerta real para o agronegócio nacional. Para além de uma manifestação de viés político, trata-se de um indicativo claro dos riscos enfrentados por um setor vital quando a diplomacia falha. Sem uma política externa proativa, técnica e estrategicamente ancorada, o agro — responsável por expressiva parcela do PIB e sustentáculo de estados como Goiás — torna-se vulnerável a pressões geopolíticas e decisões unilaterais de grandes potências.
O atual cenário da política externa brasileira revela um distanciamento dos eixos tradicionais de negociação e uma priorização de pautas ideológicas em detrimento de estratégias de interesse econômico concreto. A previsibilidade, elemento essencial para a segurança jurídica e comercial, dá lugar à insegurança institucional, criando um ambiente propício para retaliações, barreiras tarifárias e desequilíbrios cambiais. A proposta de desdolarização no âmbito dos BRICS, embora relevante em tese, tem se apresentado mais como um gesto retórico do que como um instrumento efetivo de reposicionamento no comércio internacional — e o agronegócio brasileiro já arca com os custos dessa desconexão entre discurso e realidade.
Nesse contexto, o setor produtivo não pode ser penalizado por decisões diplomáticas desalinhadas com os desafios cotidianos enfrentados no campo. Tarifas elevadas, volatilidade cambial e perda de competitividade nos mercados internacionais são sintomas de uma ausência de protagonismo geopolítico. É urgente resgatar uma diplomacia pragmática e comprometida com resultados. A experiência da ex-ministra Tereza Cristina, marcada pela ampliação de mercados e por um diálogo técnico eficaz com países estratégicos, permanece como referência de atuação sólida e coerente com os interesses do agro brasileiro.
A postura de Trump, portanto, não é meramente barulhenta: ela é estratégica. E sua eficácia reside justamente na omissão de uma resposta técnica e coordenada por parte do Brasil. A ausência de ação estruturada abre espaço para imposições que comprometem a estabilidade do setor. Não há margem para hesitações ou discursos meramente simbólicos. O momento exige estratégia, inteligência geopolítica e, acima de tudo, negociação com propósito — aquela que se baseia em princípios sólidos e produz resultados sustentáveis.
Convém recordar que mais de 90% das empresas brasileiras são micro e pequenas, muitas delas vinculadas diretamente ao campo. Essas organizações não podem continuar reféns de decisões políticas desconectadas de suas necessidades concretas. A proteção do agronegócio exige representação institucional qualificada, segurança jurídica e compromisso diplomático com a estabilidade comercial.
O que se encontra em jogo não se limita a tarifas ou barreiras pontuais. Está em risco a competitividade do Brasil no comércio global, a força de um setor que alimenta milhões e a credibilidade internacional do país como fornecedor seguro. A solução passa por reposicionar o Brasil como ator estratégico nas cadeias globais, com base em uma diplomacia fundamentada em negociação ética, técnica e orientada por propósito.
Referência técnica da autora:
GRAMa, Lívia Márcia Borges Marques. Advogada especialista em Direito Bancário Estratégico, Reestruturação de Empresas e Agronegócios. Atua na proteção jurídica de produtores e empresas exportadoras do setor.
Autora dos livros Negociando com Propósito – o Ganha-Ganha, Best Seller na Amazon, e Não Basta Ler – Coloque em Prática, publicado pela Editora Dialética. Defende a negociação baseada em princípios como ferramenta essencial para soluções sustentáveis — inclusive nas relações internacionais
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CONTATO PROFISSIONAL
Dra. Lívia Márcia Borges
Advogada. Especialista em Direito Bancário, Agronegócio, Reestruturação de Empresas e Negociação Estratégica.
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Lívia Borges Advocacia & Negociação – LBAN





