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Gaza Registra Cinco Mortes por Fome em 24 Horas, Afirma Ministério Palestino

Gaza registra cinco novas mortes por fome em 24 horas, diz ministério palestino
Médicos sem Fronteiras/Divulgação

A tragédia humanitária na Faixa de Gaza atinge novos patamares de gravidade. De acordo com informações divulgadas pelo Ministério da Saúde da Palestina, cinco pessoas morreram por causas ligadas à fome e à desnutrição nas últimas 24 horas, elevando para 127 o número de mortes por inanição desde o início do conflito em outubro de 2023.

Entre os mortos, estão dois bebês, incluindo um recém-nascido de apenas sete dias de vida, conforme relato de equipes médicas do hospital Al-Shifa. O colapso no sistema de saúde, a escassez de alimentos e a impossibilidade de acesso a itens básicos estão empurrando milhares de palestinos para um cenário alarmante de fome aguda e desnutrição severa.

Segundo as autoridades locais e organizações humanitárias, mais de 100 mil crianças com menos de dois anos estão em risco imediato de morte por falta de alimentação adequada. Destas, cerca de 40 mil bebês ainda em fase de amamentação não têm acesso a leite em pó, fórmulas infantis ou outros nutrientes essenciais.

A crise se agrava devido às restrições impostas à entrada de ajuda humanitária. Apesar de algumas permissões para caminhões com insumos médicos — como seringas, luvas e antibióticos —, nenhuma carga de alimentos tem sido autorizada a chegar até a população. Hospitais continuam sem recursos básicos, e profissionais de saúde relatam exaustão, escassez de medicamentos e falta de comida até para os pacientes internados.

A ONU e outras organizações internacionais vêm alertando há meses que a Faixa de Gaza vive uma das maiores crises alimentares da atualidade, com a população civil sofrendo os impactos diretos de cercos, bombardeios e colapso da infraestrutura urbana. Ainda segundo esses relatos, milhares de famílias estão consumindo apenas uma refeição por dia — quando conseguem algum alimento — e a desnutrição cresce de forma acelerada.

Além das mortes por fome, ao menos 29 palestinos foram mortos nas últimas 24 horas por ataques militares, ampliando o quadro de devastação no território. A situação é descrita por especialistas como um exemplo de “fome provocada por ação humana”, uma vez que os obstáculos ao acesso de ajuda humanitária não se devem apenas a limitações logísticas, mas a decisões políticas e militares.

Desde o início da guerra, milhares de civis já morreram, e o número de deslocados internos supera 1,5 milhão de pessoas. Em meio aos escombros, milhares de famílias tentam sobreviver com o que resta — abrigos improvisados, água contaminada e alimentos escassos.

A Organização Mundial da Saúde já reconheceu que a desnutrição grave está se espalhando de forma descontrolada em Gaza, afetando grupos vulneráveis como crianças, gestantes, idosos e pessoas com doenças crônicas. Cerca de 100 mil mulheres e crianças necessitam urgentemente de tratamento contra desnutrição aguda grave, o que exige ações imediatas para evitar uma catástrofe ainda maior.

Enquanto alguns esforços internacionais tentam viabilizar pausas temporárias nos combates para a entrada de auxílio, líderes humanitários reforçam que tais medidas são insuficientes diante do nível de colapso enfrentado. Para evitar que a tragédia se agrave, são exigidas rotas permanentes e seguras de ajuda, além de negociações para um cessar-fogo duradouro.

O drama humanitário em Gaza já ultrapassa as estatísticas. São histórias reais de pais enterrando filhos por falta de comida, de hospitais sem energia, e de uma população inteira vivendo sob o medo, a fome e a dor.

Editor Sucesso