As autoridades anticorrupção da Ucrânia revelaram, no último sábado (2), a existência de um esquema fraudulento envolvendo contratos superfaturados para a aquisição de drones e equipamentos de interferência eletrônica. A operação levou à prisão de quatro pessoas, incluindo um parlamentar em exercício, dois servidores públicos e integrantes da Guarda Nacional. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados.
A investigação conduzida pelo Escritório Nacional Anticorrupção (NABU) em conjunto com a Promotoria Especializada Anticorrupção (SAPO) aponta que os contratos firmados com empresas fornecedoras estavam com valores deliberadamente inflacionados. Segundo os órgãos, os suspeitos recebiam comissões ilegais que chegavam a 30% do valor total das aquisições.
Em comunicado publicado nas redes sociais, as instituições afirmaram que os contratos foram assinados com base em acordos fictícios e fraudulentos, comprometendo recursos destinados ao esforço de guerra contra a Rússia.
Reação do governo
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, usou seu canal no Telegram para comentar o caso. “A corrupção deve ser combatida com tolerância zero e ações firmes que resultem em justiça”, afirmou o mandatário, que recebeu informações diretas dos chefes das instituições envolvidas nas investigações.
A revelação ocorre dias após o Parlamento ucraniano aprovar o restabelecimento da autonomia de NABU e SAPO — medida tomada após protestos populares que reagiram à tentativa de colocar esses órgãos sob o controle da Procuradoria-Geral. O episódio marcou as maiores manifestações no país desde o início da invasão russa em 2022.
Pressão internacional
A tentativa de interferência nos órgãos de controle gerou críticas de aliados europeus da Ucrânia, que alertaram para possíveis impactos no processo de adesão do país à União Europeia. Zelensky acabou recuando e apresentou um projeto de lei para garantir a independência das instituições — proposta que foi aprovada pelo Legislativo na última semana.
“É essencial que as instituições de combate à corrupção operem de forma autônoma. A nova legislação garante as condições necessárias para isso”, afirmou o presidente após reunião com as lideranças dos órgãos anticorrupção.





