A tensão entre Estados Unidos e Venezuela tem se intensificado nos últimos dias, com acusações mútuas e mobilização de recursos, pessoal e embarcações militares. O cenário levou outros países da América Latina a se posicionarem gradualmente em relação ao conflito entre o governo de Nicolás Maduro e a administração Trump.
Por meio do Secretário de Estado Marco Rubio, os EUA destacaram o apoio recebido de diversos países latino-americanos no combate ao Cartel de los Soles, grupo apontado por Washington como liderado por Maduro, mas cuja existência é negada por Caracas. Rubio ressaltou a cooperação internacional na tentativa de interromper o fluxo de drogas e informou que o combate resultou em apreensões recordes.
Posicionamento dos países
O Equador foi o primeiro a se alinhar aos EUA. Em decreto assinado pelo presidente Daniel Noboa, o país classificou o Cartel de los Soles como um “grupo terrorista do crime organizado”, considerando-o uma ameaça à população. O Centro Nacional de Inteligência do Equador ficará responsável por analisar a influência do grupo sobre outras organizações criminosas no país.
Em seguida, o Paraguai, sob o comando do presidente Santiago Peña, também declarou o Cartel de los Soles como uma “organização terrorista internacional”. O decreto paraguaio destaca a necessidade de intensificar esforços para combater o crime transnacional, decisão tomada a pedido do Senado.
Na Argentina, o governo de Javier Milei adotou medida semelhante, reconhecendo o grupo como uma “organização terrorista”. Segundo a chancelaria argentina, a decisão se baseia em relatórios que apontam atividades ilícitas transnacionais, incluindo tráfico de drogas, contrabando e exploração ilegal de recursos naturais, além de vínculos com outras estruturas criminosas da região. A medida visa fortalecer a cooperação internacional em segurança e justiça.
Além desses países, a Guiana expressou preocupação com o crime organizado transnacional e o narcoterrorismo vinculado ao suposto cartel, ressaltando a importância de parcerias regionais para combater a ameaça.
Em contrapartida, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, questionou a existência do Cartel de los Soles, classificando-o como uma “desculpa fictícia usada pela extrema direita para pressionar governos independentes”.
Reação da oposição venezuelana
A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, comemorou as declarações de apoio de países vizinhos ao combate ao suposto cartel e ao governo Maduro. Machado agradeceu pessoalmente ao presidente do Paraguai e também enviou mensagem ao governo argentino, elogiando o apoio à “causa da liberdade e da democracia na Venezuela”. Por outro lado, o ministro do Interior venezuelano, Diosdado Cabello, criticou as ações internacionais.





