Mesmo enfrentando conflitos em seu próprio território, a Rússia mantém a estratégia de ampliar sua presença militar na África. Para isso, o governo de Vladimir Putin tem promovido um intenso recrutamento de cidadãos russos dispostos a participar de operações militares no continente africano, por meio do Africa Corps — uma reestruturação do antigo grupo paramilitar conhecido como Grupo Wagner.
O que é o Africa Corps?
O Africa Corps surgiu após o desmantelamento do Grupo Wagner, uma organização privada de mercenários ligada ao Kremlin, que atuou em várias regiões, como Síria, Ucrânia e países africanos. Em 2023, após uma tentativa de rebelião liderada pelo fundador do Wagner, Yevgeny Prigozhin, o grupo foi dissolvido e substituído pelo Africa Corps, agora oficialmente subordinado ao Ministério da Defesa da Rússia.
Os contratos firmados pelo Ministério da Defesa oferecem remuneração que varia entre 1,1 milhão e 2,7 milhões de rublos por ano — aproximadamente de R$ 74 mil a R$ 182 mil. Além disso, os combatentes recebem bônus de até 400 mil rublos (cerca de R$ 27 mil) por missão de combate. As vagas abrangem funções como motoristas, instrutores, tradutores e especialistas em guerra eletrônica, defesa aérea e uso de drones.
Contexto na África
Nos últimos anos, a Rússia aproveitou a instabilidade política no Sahel, onde golpes militares derrubaram governos em países como Mali, Níger e Burkina Faso. Com a expulsão de tropas francesas e americanas, esses países buscaram a Rússia como parceiro para fortalecer a segurança regional diante da crescente ameaça de grupos terroristas, como o Estado Islâmico.
Desde janeiro de 2024, o Africa Corps está presente oficialmente em Burkina Faso, Mali e Níger, com o objetivo declarado de garantir a segurança e estabilidade da região.
Em agosto de 2025, o ministro da Defesa russo, Andrey Belousov, visitou esses países para reforçar os acordos de cooperação militar, assinando memorandos com os ministros da Defesa locais para continuar a assistência russa à segurança africana.





