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Movimentação de R$ 14,6 milhões coloca desembargador no centro de investigação por venda de decisões

Movimentação de R$ 14,6 milhões coloca desembargador no centro de investigação por venda de decisões
Reprodução

Um levantamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apontou que um desembargador afastado movimentou cerca de R$ 14,6 milhões ao longo dos últimos cinco anos, valor considerado incompatível com os rendimentos oficialmente declarados durante o período. As informações integram uma investigação mais ampla que também envolve a Polícia Federal, no âmbito da Operação Gemini, que apura a existência de um suposto esquema de venda de decisões judiciais e lavagem de dinheiro com atuação dentro do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

O magistrado, identificado como Dirceu dos Santos, já estava sob investigação do CNJ antes mesmo da operação policial mais recente. Ele havia sido afastado de suas funções em março, após a identificação de indícios de irregularidades administrativas e suspeitas relacionadas à sua atuação no cargo. Com o avanço das investigações, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão, além de autorizações para quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático de investigados apontados como parte do suposto esquema.

De acordo com os investigadores, há indícios de que decisões judiciais possam ter sido negociadas de forma indevida, além de movimentações financeiras consideradas atípicas. O relatório do CNJ destacou que os valores identificados não seriam compatíveis com os ganhos formais do magistrado ao longo do período analisado. A investigação também aponta a possível participação de outros agentes públicos e políticos no esquema, incluindo um deputado estadual, que teria relação com a estrutura investigada. A Polícia Federal trabalha com a hipótese de um sistema organizado de intermediação de decisões judiciais e ocultação de recursos financeiros.

Os investigados podem responder por crimes como corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro, dependendo da consolidação das provas ao longo do processo. Até o momento, as defesas dos citados não apresentaram manifestações públicas detalhadas sobre as acusações. O caso segue sob sigilo e deve avançar com novas fases de análise financeira e cruzamento de dados obtidos durante as operações.

Ana Carolina