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PF investigará Lulinha por suspeita de tráfico de influência

PF investigará Lulinha por suspeita de tráfico de influência

A Polícia Federal vai investigar Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para apurar a suspeita da prática dos crimes de tráfico de influência e corrupção. A abertura do inquérito foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após pedido apresentado pela própria corporação.

De acordo com as informações da investigação, o objetivo é esclarecer se Lulinha teria atuado para intermediar interesses junto ao Ministério da Saúde durante negociações relacionadas ao processo de autorização para a comercialização de produtos à base de cannabis medicinal no Brasil. A Polícia Federal pretende reunir documentos, depoimentos e demais elementos que possam confirmar ou afastar as suspeitas.

O pedido de abertura da investigação foi encaminhado ao STF no dia 24 de julho e distribuído ao ministro André Mendonça, que também é relator do inquérito que investiga o esquema de descontos irregulares em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O nome de Lulinha já havia sido mencionado nesse outro procedimento investigativo em razão de sua relação com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como um dos investigados pela Polícia Federal.

Segundo a apuração, os investigadores buscam verificar se houve utilização de influência política ou institucional para favorecer interesses privados junto ao governo federal. A autorização concedida pelo STF permite que a Polícia Federal aprofunde as diligências para esclarecer os fatos, sem que isso represente, neste momento, qualquer conclusão sobre a existência de crime ou responsabilidade penal.

A investigação está em sua fase inicial e deverá incluir a análise de documentos, registros de contatos, movimentações e outros elementos considerados relevantes para o esclarecimento do caso. Ao final da apuração, a Polícia Federal poderá concluir pelo arquivamento, caso não sejam encontradas provas suficientes, ou encaminhar o inquérito ao Ministério Público para eventual adoção de medidas cabíveis, caso identifique indícios de irregularidades.

A defesa de Fábio Luís Lula da Silva contestou a abertura da investigação e afirmou que não existem elementos que justifiquem a medida. O advogado do empresário declarou que a Polícia Federal estaria promovendo uma espécie de “fishing expedition”, expressão utilizada para definir investigações abertas na expectativa de encontrar alguma irregularidade, sem que existam provas concretas previamente estabelecidas. A defesa também reiterou que Lulinha nega ter praticado qualquer ato ilícito.

Como ocorre em qualquer investigação criminal, a autorização para abertura do inquérito não significa condenação nem comprovação da prática de crimes. O procedimento tem como finalidade reunir provas e esclarecer os fatos antes de qualquer eventual responsabilização judicial.

O caso permanece sob acompanhamento do Supremo Tribunal Federal e da Polícia Federal, que darão continuidade às diligências para verificar se houve ou não tráfico de influência e corrupção nas negociações envolvendo o Ministério da Saúde e o processo de autorização para comercialização de cannabis medicinal.

Ana Carolina