A disputa pela Presidência da República em 2026 começa a ganhar novos contornos nos estados, onde partidos do chamado Centrão vêm construindo alianças diferentes das posições adotadas no cenário nacional. Mesmo sem uma aliança nacional formal com nenhum dos principais candidatos, legendas de centro e centro-direita já acumulam mais acordos estaduais com Flávio Bolsonaro, do PL, do que com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT.
Levantamento divulgado pelo jornal O Globo aponta que União Brasil, PP e Republicanos somam, até o momento, 16 diretórios estaduais alinhados a candidaturas que apoiam Flávio Bolsonaro, enquanto nove caminham com Lula. A diferença mostra como as negociações regionais podem produzir uma configuração bastante diferente daquela observada na disputa nacional.
O movimento é resultado de uma estratégia adotada por partidos do Centrão para preservar autonomia nos estados. Em vez de estabelecer um compromisso único para todo o país, as legendas permitem que seus diretórios estaduais negociem de acordo com as alianças locais, os interesses políticos de cada região e as disputas pelos governos estaduais e demais cargos em outubro.
Essa liberdade faz com que um mesmo partido possa estar próximo de candidatos diferentes em estados distintos. Na prática, a eleição presidencial passa a dividir espaço com as disputas locais, que possuem suas próprias alianças, lideranças e interesses. Assim, o posicionamento de uma legenda no plano nacional não necessariamente determina o caminho que seus diretórios seguirão nos estados.
A maior quantidade de acordos estaduais com Flávio Bolsonaro representa um movimento relevante para a campanha do candidato do PL. A aproximação com partidos do Centrão pode ampliar a presença de lideranças políticas nos palanques regionais e fortalecer a estrutura eleitoral em diferentes partes do país. Também pode facilitar a construção de alianças com candidatos aos governos estaduais, ao Senado e à Câmara dos Deputados.
Apesar desse avanço nos estados, não há, segundo as informações divulgadas, uma adesão nacional do Centrão à candidatura de Flávio. As legendas continuam mantendo margem para negociação e evitando uma definição única que obrigue todos os seus diretórios a seguir o mesmo caminho.
Esse modelo de atuação é particularmente importante em uma eleição presidencial marcada pela disputa entre diferentes grupos políticos. Para os partidos de centro, manter alternativas abertas pode significar maior capacidade de negociação tanto na eleição presidencial quanto nas disputas estaduais.
Do outro lado, Lula enfrenta o desafio de preservar sua rede de alianças e garantir palanques competitivos nos estados. O PT busca manter a influência construída ao longo de diferentes eleições, mas precisa lidar com uma realidade em que partidos aliados ou próximos ao governo federal podem adotar estratégias próprias em determinadas regiões.
A diferença de 16 acordos contra nove também evidencia que a eleição de 2026 não será definida apenas pelas alianças anunciadas em Brasília. As composições estaduais terão peso significativo na campanha, principalmente porque os candidatos à Presidência dependem de estruturas locais para ampliar sua presença, organizar eventos e dialogar com diferentes grupos políticos.
Outro fator importante é que os partidos do Centrão possuem presença significativa no Congresso Nacional e nos governos estaduais. Por isso, seus movimentos podem influenciar não apenas a campanha presidencial, mas também a formação das futuras bancadas parlamentares e as negociações políticas que ocorrerão depois das eleições.
Para Flávio Bolsonaro, conquistar apoio regional de partidos que não assumiram compromisso nacional representa uma forma de ampliar sua rede política sem necessariamente depender de uma coligação formal em todo o país. A estratégia permite que o candidato avance em determinados estados ao lado de lideranças que possuem influência local.
Para Lula, por sua vez, o cenário exige atenção às alianças estaduais. A manutenção de palanques fortes é considerada um dos elementos importantes para uma campanha presidencial, especialmente em estados com grande número de eleitores. A presença de candidatos aliados aos governos estaduais também pode ajudar na organização das campanhas e na mobilização política regional.
O cenário ainda pode mudar nas próximas semanas. Com o calendário eleitoral avançando, partidos e candidatos continuam negociando apoios, e novas alianças podem alterar o mapa político apresentado até agora. Diretórios estaduais ainda possuem interesses próprios e podem rever acordos conforme as disputas locais se consolidarem.
A movimentação do Centrão reforça, portanto, uma característica tradicional da política brasileira: as alianças nacionais nem sempre se repetem nos estados. Enquanto a corrida presidencial coloca Lula e Flávio Bolsonaro em lados opostos, os partidos de centro mantêm uma estratégia mais flexível, buscando construir acordos que atendam às particularidades de cada região.
O resultado é uma eleição com dois níveis de negociação. No plano nacional, os candidatos procuram consolidar suas candidaturas e ampliar suas bases. Nos estados, as legendas negociam apoios considerando as disputas pelos governos, Senado, Câmara e assembleias legislativas.
Com 16 acordos estaduais já contabilizados com o grupo de Flávio contra nove com Lula, o levantamento mostra uma vantagem numérica para o candidato do PL nesse recorte específico. Isso, entretanto, não representa uma declaração de apoio nacional do Centrão e tampouco determina o resultado da eleição presidencial.
A tendência é que o mapa de alianças continue mudando até a consolidação das campanhas. A definição de palanques estaduais, a composição das chapas e os acordos entre candidatos deverão ser acompanhados de perto, especialmente nos maiores colégios eleitorais do país.
Em 2026, portanto, a estratégia dos partidos do Centrão evidencia que a política estadual terá papel central na corrida presidencial. A opção por manter independência nacional enquanto fecha acordos regionais permite que essas siglas preservem espaço de negociação e participem de diferentes arranjos políticos ao longo do território brasileiro.





