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Trump endurece pressão contra o Irã

Trump endurece pressão contra o Irã
Foto: Ken Cedeno/Reuters

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma nova e ampla ofensiva econômica contra o Irã e ameaçou impor consequências severas a países, empresas e instituições que continuarem ajudando a manter a economia iraniana funcionando.

A declaração foi feita por Trump em uma publicação na rede social Truth Social, na quarta-feira (19), na qual o presidente americano classificou a iniciativa como uma espécie de “guerra econômica” e prometeu buscar um isolamento internacional sem precedentes contra o regime de Teerã.

A medida representa mais uma escalada na disputa entre Washington e Teerã. Em vez de limitar a pressão diretamente ao governo iraniano, Trump indicou que pretende atingir também aqueles que fornecem meios para que o país continue realizando operações comerciais e financeiras no exterior.

Um dos pontos de maior impacto da declaração de Trump é a ameaça de punições contra terceiros.

O presidente americano afirmou que países que permitirem que seus bancos, empresas, aeroportos ou órgãos governamentais ofereçam algum tipo de apoio econômico ao Irã poderão sofrer consequências. Entre os mecanismos citados estão operações financeiras, transferências de dinheiro, comércio de petróleo, casas de câmbio, registros de embarcações e utilização de empresas criadas para esconder as operações comerciais.

Na prática, Washington pretende dificultar ainda mais as alternativas encontradas pelo Irã para contornar as sanções internacionais que já existem há décadas.

Essa estratégia é conhecida como sanções secundárias, nas quais os Estados Unidos pressionam empresas ou instituições de outros países para que deixem de negociar com um determinado alvo. O objetivo é fazer com que manter relações econômicas com o Irã se torne mais arriscado e caro.

Trump afirmou que a nova campanha terá como objetivo ampliar o isolamento econômico de Teerã. O presidente americano também pediu que os aliados dos Estados Unidos participem da estratégia para aumentar a pressão sobre o governo iraniano.

A iniciativa ocorre depois de uma série de medidas adotadas por Washington contra setores considerados importantes para a economia iraniana, incluindo áreas ligadas ao petróleo, transporte marítimo e sistema financeiro.

Desde o início do atual conflito, os Estados Unidos já ampliaram as sanções contra pessoas, empresas, embarcações e outras estruturas ligadas ao Irã. Segundo dados do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro americano, mais de mil pessoas, embarcações e aeronaves foram alvo de sanções desde o começo do segundo mandato de Trump. Um dos principais focos da nova ofensiva é o comércio de petróleo iraniano.

O Irã depende fortemente das exportações de petróleo para obter receitas em moeda estrangeira. Por isso, dificultar a venda e o transporte do produto pode representar um golpe significativo para as finanças do governo iraniano.

A China é o principal comprador do petróleo iraniano, absorvendo a maior parte das exportações do país. Por esse motivo, eventuais sanções contra empresas chinesas envolvidas na compra ou processamento do petróleo iraniano podem criar uma nova frente de tensão entre Washington e Pequim.

Especialistas citados em análises recentes apontam que os Estados Unidos podem ampliar a pressão sobre refinarias independentes chinesas, bancos e empresas que participem de operações relacionadas ao petróleo iraniano.

Uma decisão desse tipo, porém, teria potencial para provocar uma reação da China, aumentando ainda mais as tensões entre as duas maiores economias do mundo.

A ofensiva econômica também acontece em meio à tensão envolvendo o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do planeta.

A região é estratégica para o comércio internacional de energia. Qualquer interrupção significativa no fluxo de navios pelo estreito pode afetar os preços do petróleo e, consequentemente, aumentar os custos de combustíveis e de diversos produtos em diferentes países.

A tensão entre Estados Unidos e Irã já vem provocando reflexos no mercado internacional de petróleo. O risco de novos problemas no transporte pela região contribuiu para a recente alta das cotações, aumentando também as preocupações com inflação em diferentes economias.

Para os consumidores, um aumento prolongado do petróleo pode significar gasolina e diesel mais caros, além de impactos sobre transporte, indústria e alimentos.

O governo iraniano rejeitou a postura de Trump e classificou a estratégia americana como uma política fracassada.

Autoridades de Teerã argumentam que a pressão econômica não será suficiente para obrigar o país a abandonar suas posições. O governo iraniano também acusa os Estados Unidos de utilizar a estratégia econômica como instrumento de pressão política.

O Irã vive há décadas sob diferentes tipos de sanções internacionais. Mesmo com as restrições, o país desenvolveu mecanismos para manter parte de suas relações comerciais e financeiras com parceiros estrangeiros.

A nova estratégia de Washington busca justamente dificultar essas alternativas.

A China ocupa uma posição especialmente delicada nesse cenário.

Pequim mantém relações econômicas importantes com Teerã e é o principal comprador do petróleo iraniano. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos e a China tentam administrar uma relação marcada por disputas comerciais, tecnológicas e estratégicas.

Uma ampliação das sanções contra empresas chinesas poderia criar um novo conflito entre os dois governos.

Especialistas avaliam que Washington pode utilizar diferentes mecanismos para pressionar instituições chinesas envolvidas com o petróleo iraniano, mas também existe o risco de que Pequim responda com medidas próprias.

Esse equilíbrio torna a questão ainda mais complexa, porque uma disputa econômica entre Estados Unidos e China teria consequências muito maiores do que aquelas restritas ao Oriente Médio.

A estratégia anunciada por Trump também chama atenção porque privilegia a pressão econômica como instrumento contra Teerã.

O governo americano tem utilizado sanções e bloqueios para tentar enfraquecer a capacidade financeira do Irã e pressionar o regime a aceitar um acordo em condições consideradas favoráveis por Washington.

Nos últimos dias, integrantes do governo Trump indicaram que as negociações com representantes iranianos continuam sendo consideradas uma possibilidade. Ao mesmo tempo, o presidente americano demonstra disposição para aumentar a pressão caso não haja um acordo.

Isso cria um cenário de forte incerteza: enquanto existem sinais de contatos diplomáticos, as ameaças e medidas econômicas continuam sendo ampliadas.

Embora a disputa esteja concentrada no Oriente Médio, seus efeitos podem atingir vários países.

O petróleo é um dos principais canais de transmissão desse tipo de crise. Se a oferta mundial for reduzida ou se houver dificuldades para transportar petróleo pelo Estreito de Ormuz, os preços internacionais podem subir.

Uma alta prolongada da commodity pode aumentar os custos de produção e transporte, pressionando a inflação. Bancos centrais de diferentes países podem, então, enfrentar maior dificuldade para reduzir os juros.

Além disso, uma escalada entre Washington e Teerã pode provocar maior aversão ao risco nos mercados financeiros, afetando bolsas, moedas e investimentos.

O Brasil também pode sentir reflexos caso a alta do petróleo seja persistente. Combustíveis mais caros podem pressionar custos de transporte e produção e influenciar os preços de diversos produtos.

O anúncio de Trump coloca a relação entre Estados Unidos e Irã em uma nova etapa.

A estratégia não se limita a pressionar diretamente o governo iraniano. A intenção declarada é atingir toda a rede internacional que ajuda Teerã a movimentar dinheiro, comercializar petróleo e manter relações econômicas com outros países.

O grande desafio para Washington será transformar as ameaças em resultados concretos sem provocar uma reação internacional ainda maior.

Ao mesmo tempo, o Irã terá de lidar com uma economia já pressionada por sanções, inflação e desvalorização de sua moeda.

O cenário permanece aberto e pode sofrer novas mudanças conforme avancem as negociações diplomáticas e as ações dos dois lados.

O anúncio de Trump, portanto, representa mais do que uma nova rodada de sanções. É uma tentativa de aumentar significativamente o custo econômico para o Irã e, ao mesmo tempo, enviar um recado a outros países: aqueles que continuarem ajudando Teerã também poderão ser atingidos pela pressão americana.

A resposta de países como China e de outros parceiros comerciais do Irã será fundamental para determinar até onde essa nova ofensiva poderá chegar.

 

Ana Carolina