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Primeiro debate presidencial é marcado por ausências

Primeiro debate presidencial é marcado por ausências
Foto: Renato Pizzutto/Band

O primeiro debate entre os candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026 foi realizado na noite deste domingo (23), pela Band, mas acabou sendo marcado principalmente pela ausência de três nomes de destaque na disputa: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo).

O encontro foi organizado pela Band em parceria com o jornal O Estado de S. Paulo e as emissoras Cultura, Gazeta e Jovem Pan. Dos seis candidatos convidados inicialmente, apenas Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) compareceram ao estúdio. Os púlpitos destinados aos candidatos ausentes permaneceram vazios, chamando atenção logo no início da transmissão.

A ausência dos principais nomes da corrida presidencial fez com que o debate tivesse um formato bastante diferente do que normalmente se espera de um primeiro confronto eleitoral. Segundo o levantamento do UOL, foi o debate inicial com o menor número de participantes desde que as emissoras passaram a promover esse tipo de evento, em 1989. A exceção histórica foi 1998, quando não houve debate presidencial.

O presidente Lula optou por não comparecer ao debate. De acordo com as informações apresentadas pelo UOL, a justificativa da campanha petista esteve relacionada à avaliação de que havia uma desigualdade nas condições do confronto, já que foram convidados candidatos que não teriam obrigatoriedade legal de participar do debate.

A estratégia também levou em consideração o cenário político e eleitoral. Na avaliação da campanha de Lula, o presidente poderia se transformar no principal alvo dos adversários, especialmente dos candidatos posicionados à direita, passando boa parte do encontro respondendo a críticas em vez de apresentar suas propostas.

Mesmo ausente, Lula acabou ocupando grande parte do debate. Os candidatos presentes fizeram críticas ao presidente e ao governo federal durante diferentes momentos do programa.

A ausência de Flávio Bolsonaro esteve diretamente relacionada à decisão de Lula. O senador, que aparece entre os principais nomes da disputa presidencial, decidiu não participar do encontro sem a presença do petista.

Aliados de Flávio afirmaram que a estratégia é priorizar debates nos quais Lula também esteja presente, uma vez que o presidente é considerado seu principal adversário na corrida pelo Palácio do Planalto.

Com isso, o confronto que poderia reunir os dois candidatos que aparecem nas primeiras posições das pesquisas acabou sem a participação de nenhum deles.

Romeu Zema, que inicialmente estava entre os candidatos convidados, também não participou. A campanha do governador mineiro anunciou a desistência após a alteração da data do debate.

Segundo a justificativa apresentada pela campanha, a mudança do encontro para o dia 23 tinha como objetivo possibilitar a participação de Lula. Com a ausência do presidente e de outros concorrentes, a equipe de Zema considerou que a alteração havia perdido sua finalidade inicial.

Dessa forma, os três nomes que poderiam concentrar grande parte da atenção do eleitorado ficaram fora do primeiro debate presidencial.

Entre os candidatos presentes, Ronaldo Caiado foi um dos que mais criticaram a decisão dos adversários de não participar.

O candidato do PSD afirmou que Lula e Flávio deveriam ter comparecido ao encontro e avaliou que a ausência poderia ser interpretada negativamente pelo eleitor. Para Caiado, os dois estariam evitando o confronto direto com outros candidatos.

A crítica colocou a ausência dos principais concorrentes no centro do debate. Em vez de confrontar Lula ou Flávio diretamente, Caiado e os demais participantes passaram a discutir as propostas e o desempenho do atual governo, além de apresentar suas próprias posições para a eleição.

A avaliação de Caiado é de que o eleitor deveria ter a oportunidade de acompanhar os candidatos lado a lado, comparar suas propostas e observar como cada um reage aos questionamentos e críticas dos adversários.

Renan Santos também aproveitou o debate para atacar os candidatos que não compareceram. O candidato do Missão adotou um tom mais contundente e fez críticas diretas a Lula e Flávio Bolsonaro.

Em determinado momento, Renan chegou a utilizar fraldas com os nomes dos dois políticos como forma de provocação. Durante sua participação, também fez críticas duras ao governo Lula e aos eleitores do presidente, o que provocou reação de Augusto Cury.

O tom agressivo utilizado por Renan contrastou com a postura defendida por Cury, que criticou a maneira como o adversário conduzia seus ataques e destacou a necessidade de preservar o debate democrático.

A presença de Augusto Cury também foi uma surpresa. Pouco antes do início do programa, o candidato do Avante havia anunciado que não participaria do debate como forma de protesto diante da ausência dos principais candidatos.

Entretanto, Cury voltou atrás e decidiu comparecer. A decisão foi apresentada como uma forma de respeito ao jornalista Fernando Mitre, além da disposição de participar do espaço de discussão política mesmo diante da ausência de Lula, Flávio e Zema.

Durante o programa, Cury aproveitou para criticar a polarização política e apresentar sua visão sobre o cenário brasileiro.

O formato do encontro foi dividido em três blocos. Além das perguntas feitas pelos apresentadores e por jornalistas, houve momentos destinados aos confrontos diretos entre os candidatos.

Nessas etapas, os participantes puderam fazer perguntas uns aos outros e apresentar respostas e réplicas. A proposta da organização era permitir que o eleitor pudesse observar não apenas as propostas dos presidenciáveis, mas também a capacidade de cada um de responder às críticas e defender suas posições.

Com somente três candidatos no palco, porém, o confronto acabou tendo uma dinâmica diferente daquela planejada inicialmente.

A decisão de Lula, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema de não participar fez com que a ausência dos candidatos se transformasse em um dos principais assuntos da noite.

Em vez de um confronto entre os nomes mais competitivos da disputa, o debate acabou servindo como espaço para candidatos que estão atrás nas pesquisas apresentarem suas propostas e atacarem os adversários ausentes.

A situação também abriu espaço para uma discussão sobre a importância dos debates eleitorais. Enquanto as campanhas dos ausentes defendem estratégias próprias para escolher os confrontos dos quais participarão, os candidatos presentes argumentam que o eleitor precisa ter acesso ao maior número possível de comparações entre os concorrentes.

O primeiro debate, portanto, não serviu apenas para apresentar propostas. O encontro também mostrou como as estratégias eleitorais já começam a influenciar a participação dos candidatos em eventos públicos.

O debate aconteceu em meio a uma disputa marcada pela polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro. Pesquisa Datafolha citada pelo UOL apontava Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno, seguido por Flávio, com 33%. Na sequência apareciam Ronaldo Caiado, com 5%, Renan Santos, com 4%, e Romeu Zema, com 3%.

Os números ajudam a explicar por que a presença ou ausência dos dois principais candidatos ganhou tanta importância. Um debate com Lula e Flávio no mesmo palco poderia representar uma oportunidade para o eleitor comparar diretamente os dois nomes que lideram a corrida, enquanto a ausência de ambos mudou completamente a dinâmica do programa.

Ao mesmo tempo, candidatos como Caiado, Renan Santos e Augusto Cury tiveram a oportunidade de ocupar um espaço maior no primeiro grande confronto televisivo da eleição.

O encontro da Band ocorre justamente no momento em que a campanha eleitoral de 2026 começa a ganhar maior intensidade. Com a aproximação do início da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, os candidatos passam a disputar cada vez mais a atenção dos eleitores.

Os debates terão papel importante nesse processo porque permitem que os candidatos apresentem propostas, respondam a perguntas e sejam confrontados diretamente pelos adversários.

O primeiro encontro, no entanto, mostrou que a estratégia de participação também será uma questão relevante durante a campanha. A ausência de Lula, Flávio Bolsonaro e Zema deverá continuar sendo discutida nos próximos dias, enquanto os demais candidatos buscam aproveitar o espaço para ampliar sua exposição.

O episódio também reforça que a eleição presidencial de 2026 deverá ser marcada por uma disputa intensa, com diferentes grupos políticos tentando romper a polarização e conquistar espaço entre os eleitores.

Com o primeiro debate concluído, a expectativa agora se volta para os próximos encontros e para a definição das estratégias que cada candidato adotará ao longo da campanha. A participação — ou não — dos principais concorrentes poderá influenciar diretamente o formato e a repercussão dos próximos debates.

 

 

Ana Carolina