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Augusto Cury cresce na corrida presidencial

Augusto Cury cresce na corrida presidencial

O cenário da disputa pela Presidência da República passou por uma mudança significativa na mais recente pesquisa BTG/Nexus. O candidato do Avante, Augusto Cury, registrou forte crescimento nas intenções de voto e passou a ocupar isoladamente a terceira colocação na corrida eleitoral de 2026.

De acordo com o levantamento, Cury aparece com 11% das intenções de voto no principal cenário estimulado para o primeiro turno. Na pesquisa anterior, divulgada uma semana antes, o candidato tinha apenas 2%. O salto de nove pontos percentuais colocou o escritor à frente dos demais concorrentes que disputam espaço fora da polarização entre os dois primeiros colocados.

Na liderança aparece o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com 39%, enquanto Flávio Bolsonaro registra 33%. Na comparação com a rodada anterior, Lula recuou de 41% para 39%, enquanto Flávio passou de 37% para 33%.

A ascensão de Augusto Cury chama atenção principalmente porque aconteceu em um período de grande exposição dos candidatos. Nos últimos dias, o eleitorado acompanhou entrevistas e sabatinas com os presidenciáveis, além do início do horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão.

Cury participou, no sábado (29), da série de entrevistas promovida pela TV Globo com candidatos à Presidência. A exposição na televisão ocorreu justamente em um momento de intensificação da campanha e pode ter contribuído para ampliar o conhecimento do candidato entre os eleitores.

Outro fator que marca a campanha de Cury é sua presença nas redes sociais. O candidato vem ampliando rapidamente seu alcance digital e tentando se apresentar como uma alternativa aos dois principais polos da disputa nacional. Antes mesmo da divulgação da nova pesquisa, sua candidatura já havia ganhado visibilidade após o debate presidencial realizado pela TV Bandeirantes.

O crescimento nas redes ocorreu de maneira acelerada. Segundo levantamento citado pela imprensa, Cury passou a registrar milhões de seguidores no Instagram e ganhou uma parcela significativa de novos seguidores após sua participação no debate. A estratégia de comunicação adotada por sua campanha procura explorar justamente a ideia de uma candidatura capaz de se posicionar fora da polarização tradicional entre petistas e bolsonaristas.

A entrada de Cury no grupo dos candidatos com maior intenção de voto também ganha importância por causa do tempo de propaganda eleitoral. O horário eleitoral gratuito começou na última sexta-feira (28), mas apenas quatro candidatos à Presidência têm tempo nos blocos destinados à propaganda nacional: Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Augusto Cury.

Apesar disso, Cury dispõe de um espaço bastante menor no rádio e na televisão em comparação com os líderes da disputa. O candidato tem apenas 35 segundos de propaganda, o que torna sua forte presença digital ainda mais relevante para a estratégia de campanha.

A nova pesquisa mostra que o eleitorado ainda está sujeito a mudanças importantes ao longo da campanha. A diferença entre os resultados registrados por Cury em apenas uma semana demonstra como entrevistas, debates, exposição pública e propaganda podem alterar rapidamente o nível de conhecimento e a intenção de voto dos candidatos.

O levantamento também mostra uma redução nas intenções de voto dos dois primeiros colocados. Lula passou de 41% para 39%, enquanto Flávio Bolsonaro caiu de 37% para 33%. Ronaldo Caiado permaneceu com 5%, enquanto Renan Santos aparece com 3%. Romeu Zema, que anteriormente tinha 3%, agora registra 1%.

A pesquisa foi realizada entre os dias 28 e 30 de agosto, por telefone, com 2.005 eleitores de 16 anos ou mais em todo o território nacional. O levantamento tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-08900/2026.

O resultado coloca Augusto Cury em uma posição diferente daquela observada nas pesquisas anteriores. Até então, o candidato aparecia com percentuais mais baixos e distante dos principais nomes da disputa. Agora, com 11%, ele passa a ser um dos personagens centrais da eleição e pode representar uma alternativa para eleitores que não se identificam com Lula ou Flávio Bolsonaro.

A mudança também pode aumentar a pressão sobre as campanhas dos adversários. O crescimento de um terceiro nome relevante modifica a distribuição das intenções de voto e pode influenciar as estratégias adotadas pelos candidatos nas próximas semanas.

Para Cury, o desafio será transformar o crescimento registrado na pesquisa em uma tendência consistente. Uma alta expressiva em um único levantamento não garante, por si só, que o candidato manterá o mesmo patamar até o primeiro turno. A continuidade da exposição pública, o desempenho nos debates e entrevistas e a capacidade de ampliar sua presença entre diferentes grupos de eleitores serão fatores importantes para determinar os próximos movimentos.

A campanha eleitoral ainda está em fase inicial, e os números podem sofrer novas alterações à medida que mais eleitores definirem suas escolhas. O início do horário eleitoral e a sequência de debates e entrevistas devem aumentar ainda mais a exposição dos candidatos.

O crescimento de Augusto Cury, portanto, surge como uma das principais novidades do atual momento da corrida presidencial. O candidato saiu de 2% para 11% em uma semana e passou a ocupar o terceiro lugar isolado na pesquisa BTG/Nexus.

Com Lula e Flávio Bolsonaro ainda concentrando a maior parte das intenções de voto, a entrada de Cury em um patamar de dois dígitos acrescenta um novo elemento à disputa. A eleição de 2026, que já vinha sendo marcada pela forte polarização, passa agora a observar com maior atenção o desempenho de uma candidatura que busca se apresentar como alternativa aos dois principais grupos políticos do país.

Os próximos levantamentos serão fundamentais para indicar se o crescimento de Cury representa apenas um movimento pontual provocado pela maior exposição recente ou se marca o início de uma trajetória de consolidação do candidato entre os principais nomes da disputa presidencial.

Ana Carolina