O Supremo Tribunal Federal realiza nesta terça-feira, 15 de setembro, a partir das 10h, uma sessão extraordinária histórica que vai decidir se abre ou não uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.Pela primeira vez na história da Corte, o plenário vai analisar a possibilidade de investigar um dos seus próprios integrantes. O caso está na Petição 16.662, que teve o sigilo retirado no dia 1º de setembro pelo ministro André Mendonça.No centro da discussão estão mensagens atribuídas ao ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e ao ministro Alexandre de Moraes. O material faz parte de um relatório de 218 páginas da Polícia Federal, feito a partir do celular de Vorcaro, apreendido na Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025.
Vorcaro, fundador do Banco Master, foi preso preventivamente e é investigado por suspeitas de fraudes financeiras estimadas em R$ 12,2 bilhões, envolvendo gestão fraudulenta, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro na venda de carteiras de crédito ao BRB. Segundo a PF, no celular do banqueiro havia um contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASÍLIA” e conversas feitas com mensagens de visualização única no WhatsApp, mas que foram salvas no bloco de notas. Em um dos diálogos citados pela imprensa, haveria apenas um emoji de positivo atribuído a Moraes.
A crise ganhou força após reportagem do Estadão revelar trechos do relatório. Depois disso, o ministro André Mendonça, que era relator do caso, tornou públicos os autos e pediu ao plenário que decidisse sobre a abertura de investigação.Por outro lado, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu a nulidade das apurações. Segundo a PGR, Mendonça não poderia ter solicitado diligências à PF sobre o destinatário das mensagens sem pedido do Ministério Público e sem passar antes pelo plenário. Já Alexandre de Moraes negou ter recebido mensagens e, em contrapartida, pediu ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, que investigue Mendonça por suposto abuso de autoridade.A sessão foi convocada por Fachin, que assumiu a relatoria do caso.
O julgamento terá transmissão ao vivo pela TV Justiça, mas com acesso restrito no plenário, sem uso de celulares, com aparelhos lacrados na entrada.Pelas regras internas, o ministro alvo da representação não vota. Além de Moraes, o ministro Dias Toffoli também se declarou suspeito para decidir sobre o caso envolvendo o Banco Master. Com isso, nove ministros vão votar: Edson Fachin, Gilmar Mendes, Luiz Fux, André Mendonça, Kássio Nunes Marques, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Luís Roberto Barroso. Não há possibilidade de empate.
A votação pode seguir dois caminhos: primeiro, decidir se os atos de Mendonça foram nulos, como pede a PGR. Se forem anulados, a investigação contra Moraes nem chega a ser analisada. Se forem considerados válidos, o plenário decide se autoriza ou arquiva a apuração contra Moraes.Nos bastidores, há divisão. Ministros como Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin tenderiam a ser contrários à abertura da investigação, enquanto André Mendonça, Kássio Nunes Marques e Luiz Fux seriam favoráveis. Há ainda a possibilidade de pedido de vista, o que suspenderia o julgamento por até 90 dias.





