As apostas online, as chamadas bets, deixaram de ser apenas um problema de comportamento e se transformaram em um grave problema econômico para o Brasil e em tema central da campanha eleitoral de 2026.Um estudo do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da USP, o Made-USP, divulgado pela coluna de Carlos Juliano Barros no UOL, estima que as bets retiraram entre R120bilho~eseR 141 bilhões da atividade econômica brasileira apenas em 2025, por causa da queda no consumo.
Segundo o levantamento, as famílias brasileiras tiveram uma perda líquida de R$ 62,5 bilhões – ou seja, a diferença entre tudo que foi apostado e o que voltou em prêmios. Esse dinheiro não foi para o comércio, para o supermercado ou para pagar contas, foi direto para as plataformas, a maioria sediada no exterior.O impacto é gigantesco. Essa perda de R120aR 141 bilhões corresponde a 40% a 50% de todo o crescimento econômico do Brasil em 2025.
O estudo aponta que o estrago é cinco vezes maior do que o prejuízo estimado do tarifaço dos Estados Unidos para a economia brasileira.E não para por aí. Com menos consumo, o governo também arrecada menos. A perda de arrecadação com impostos sobre consumo é estimada entre R22bilho~eseR 46 bilhões, valor que equivale a até 20% de todo o orçamento da saúde pública em 2025.Outro levantamento, da Confederação Nacional do Comércio (CNC), mostra que entre janeiro de 2023 e março de 2026, cerca de R143bilho~esmigraramdovarejoparaasbets.OgastomensaldosbrasileiroscomapostassaltoudeR 4 bilhões para R$ 29 bilhões em menos de três anos.
O reflexo aparece na inadimplência e no endividamento. A CNC estima que 269 mil famílias entraram em inadimplência direta por causa das bets, com atrasos acima de 90 dias. Uma pesquisa aponta que 39,5 milhões de brasileiros tiveram contato com apostas no último ano e 7,5 milhões admitiram comprometer parte da renda. Até beneficiários do Bolsa Família entraram na estatística: só em agosto de 2024, 5 milhões de beneficiários gastaram R$ 3 bilhões via Pix em apostas, segundo o Banco Central.Para o comércio, a lógica é simples: quando o dinheiro vai para o comércio local, ele paga salários, fornecedores, aluguel e impostos e volta a circular. Quando vai para a bet, o efeito multiplicador acaba. É uma transferência de renda dos mais pobres para empresas ricas, na maioria estrangeiras.
Por causa do tamanho do problema, o tema entrou no Palácio do Planalto e no Congresso. O presidente Lula afirmou que pretende tomar uma “decisão mais drástica” sobre as apostas e já tem dois projetos para enviar ao Congresso. No Senado, avança o PL que prevê restrição total da publicidade das bets, com apoio de 22 organizações e 125 mil assinaturas.Entre os presidenciáveis, o assunto já divide. Quatro candidatos propõem proibir as bets, mas sem explicar como compensar os R$ 12,2 bilhões de arrecadação que o setor deve gerar em 2025 após a regulamentação feita no governo Lula em 2023.





