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Ex-presidentes do STF faltam a julgamento de Moraes

Ex-presidentes do STF faltam a julgamento de Moraes

O que era para ser um gesto simbólico de força e de apoio à presidência do Supremo Tribunal Federal acabou marcado por cadeiras vazias. Os 13 ministros aposentados que assinaram uma carta cobrando rigor na apuração do caso envolvendo Alexandre de Moraes não apareceram no plenário na sessão desta terça-feira, dia 15

Na semana passada, o presidente do STF, Edson Fachin, havia reservado a primeira fila do plenário justamente para esses ex-ministros. Entre eles estão 10 ex-presidentes da Corte: Néri da Silveira, Sydney Sanches, Celso de Mello, Carlos Velloso, Nelson Jobim, Ellen Gracie, Cezar Peluso, Ayres Britto, Joaquim Barbosa e Rosa Weber, além de Francisco Rezek, Ilmar Galvão e Eros Grau.Eles foram os autores de uma carta divulgada no dia 8 de setembro, onde afirmam viver o STF “a mais aguda crise da sua história”. No documento, eles demonstram total confiança em Fachin e cobram que o plenário determine “imediata e rigorosa apuração, sob o devido processo legal, dos gravíssimos fatos cuja divulgação vem comprometendo o prestígio e a autoridade desse Tribunal, a confiança do povo e até a estabilidade das instituições democráticas”.

A carta não cita nominalmente nem Moraes e nem André Mendonça, mas foi escrita justamente após Mendonça quebrar o sigilo do relatório de 218 páginas da Polícia Federal que aponta 52 mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e um número atribuído a Moraes.Apesar da cobrança por uma sessão pública e transparente, nenhum dos ex-presidentes compareceu ao julgamento histórico. Segundo interlocutores do Supremo, a ausência foi sentida. A expectativa era que a presença de nomes como Celso de Mello, Nelson Jobim e Rosa Weber desse peso institucional à tentativa de Fachin de conter a crise entre Moraes e Mendonça.

Sem os antigos ministros no plenário, o que se viu foi o oposto: uma sessão caótica, com bate-boca ao vivo entre Moraes e Mendonça, placar empatado em 4 a 4 na questão que tentava unir os dois processos e um pedido de vista do ministro Flávio Dino que paralisou tudo e pode adiar a decisão por até 90 dias.A ausência dos ex-presidentes reforça a leitura nos bastidores de Brasília de que, mesmo aposentados, eles preferiram não se expor diretamente nesse embate que já é considerado o maior racha interno do STF em décadas, às vésperas das eleições de 2026.

Ana Carolina