A crise entre o Supremo Tribunal Federal e o Senado ganhou um novo capítulo nesta terça-feira, 15. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), presidente da Comissão de Direitos Humanos (CDH), articulou um pedido direto ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para dar um recado duro ao STF no dia do julgamento de Alexandre de Moraes.O movimento começou quando o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) pediu a Alcolumbre que convocasse uma sessão extraordinária do plenário do Senado no mesmo horário da sessão histórica do STF, marcada para as 10h.
A ideia era que todo o Senado parasse para assistir ao julgamento que poderia investigar Moraes por sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro.Alcolumbre, que até agora tem engavetado todos os pedidos de impeachment contra Moraes, se recusou a convocar a sessão. Segundo aliados, ele não queria aumentar ainda mais a tensão entre os poderes às vésperas das eleições de 2026.Com a negativa, Damares encontrou uma alternativa e abriu a CDH para funcionar como uma “watch party” do Senado. A comissão fez uma audiência pública com transmissão ao vivo da TV Senado para acompanhar em tempo real a sessão do STF.
Oficialmente, o tema era “desdobramentos institucionais” e “direitos humanos e garantias fundamentais”. Na prática, virou um palco de comentários ao vivo dos senadores de oposição.Participaram da sessão Damares, Tereza Cristina (PP-MS), Rogério Marinho (PL-RO), Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Jorge Seif (PL-SC), Carlos Portinho (PL-RJ) e Efraim Filho (PL-PB).Nos discursos, o recado foi direto para o Supremo. Alessandro Vieira, que já coletou 40 assinaturas para uma CPI do Banco Master e dos ministros do STF, afirmou: “O que estamos defendendo é investigação. É justiça e lei igual para todo mundo.
Crime organizado não é só pobre armado em favela, é infiltração profunda”.Damares também informou que tentativas de reunião com Alcolumbre foram frustradas e cobrou que o presidente do STF, Edson Fachin, avance na investigação. A oposição também pressiona Alcolumbre para deixar de usar a prerrogativa de arquivar sozinho os pedidos de impeachment e reclama que ele estaria protegendo Moraes.A manobra da CDH, chamada de “sessão do fim do mundo” nos bastidores, mostrou que mesmo sem o aval de Alcolumbre, a ala bolsonarista do Senado quer transformar o julgamento do STF em um palanque eleitoral e mandar um aviso de que o Legislativo não vai ficar omisso diante da crise do Judiciário.





