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Eletrificados ganham espaço no mercado de carros

Eletrificados ganham espaço no mercado de carros

O mercado automobilístico passa por uma transformação que vem ganhando força nos últimos anos. Os veículos movidos exclusivamente a gasolina estão perdendo participação nas vendas globais, enquanto modelos híbridos e elétricos conquistam cada vez mais espaço entre os consumidores. No Brasil, essa mudança também já pode ser percebida de forma significativa.

Dados referentes ao primeiro semestre de 2026 mostram que os automóveis exclusivamente a gasolina representaram 49% das vendas mundiais no período. O percentual representa uma queda expressiva em relação a 2021, quando esses veículos correspondiam a aproximadamente 73% das vendas globais.

A redução demonstra que a preferência dos consumidores está mudando. Embora os carros equipados apenas com motores a combustão ainda representem uma parcela importante do mercado, os veículos eletrificados passaram a ocupar uma fatia cada vez maior das vendas.

No Brasil, o movimento é ainda mais evidente. Os veículos eletrificados já representam cerca de 19,8% das vendas de automóveis no país, o que significa que aproximadamente um em cada cinco carros comercializados pertence a alguma categoria eletrificada.

O termo “eletrificado” engloba diferentes tipos de tecnologia. Estão incluídos os veículos totalmente elétricos, que utilizam exclusivamente motores elétricos, e os modelos híbridos, que combinam propulsão elétrica com motores a combustão.

Essa diversidade de opções tem contribuído para acelerar a transformação do mercado. Para muitos consumidores, os híbridos funcionam como uma espécie de etapa intermediária entre os veículos tradicionais e os totalmente elétricos, permitindo reduzir o consumo de combustível sem eliminar completamente o motor a combustão.

Ao mesmo tempo, os carros 100% elétricos continuam avançando, especialmente em mercados nos quais a infraestrutura de recarga já está mais desenvolvida e os consumidores possuem maior variedade de modelos à disposição.

O crescimento da eletrificação também está relacionado ao aumento da oferta de veículos. Nos últimos anos, montadoras tradicionais e novas fabricantes passaram a ampliar seus investimentos em tecnologias elétricas e híbridas, fazendo com que mais modelos chegassem às concessionárias.

No Brasil, a presença de marcas chinesas tem sido um dos fatores que mais contribuíram para acelerar essa transformação. Empresas como BYD e GWM ampliaram a oferta de modelos eletrificados e passaram a disputar espaço diretamente com fabricantes tradicionais.

Os números mais recentes do mercado brasileiro mostram essa mudança. Em setembro de 2026, os veículos eletrificados somaram 60.821 unidades emplacadas, correspondendo a 22,9% do mercado de veículos leves. Em setembro do ano anterior, eram 26.483 unidades, equivalentes a 11,4% de participação.

Isso representa um crescimento de 129% no volume de eletrificados em apenas 12 meses. Apesar de a participação ter recuado em relação a agosto de 2026, quando chegou a 24,4%, o patamar permanece muito acima do registrado no mesmo período do ano anterior.

Entre as diferentes tecnologias, os carros totalmente elétricos têm participação relevante. Os modelos híbridos plug-in também vêm conquistando espaço, enquanto os híbridos convencionais e híbridos leves ampliam a variedade disponível para o consumidor.

A expansão dos veículos elétricos, porém, depende de outro fator fundamental: a infraestrutura de recarga. Nesse aspecto, o Brasil também registra crescimento.

Dados divulgados pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) mostram que o país chegou a 29.866 pontos públicos e semipúblicos de recarga em agosto de 2026. Desse total, 11.397 eram carregadores de corrente contínua, utilizados para recargas mais rápidas.

A quantidade de pontos de recarga cresceu 76,9% em 12 meses. O avanço é considerado importante para aumentar a confiança dos consumidores e permitir que os veículos elétricos sejam utilizados não apenas em deslocamentos urbanos, mas também em viagens mais longas.

A chamada recarga rápida também ganhou espaço. Os carregadores de corrente contínua passaram a representar 38,2% da infraestrutura pública de recarga, contra 16,4% em fevereiro de 2025. O número de pontos desse tipo aumentou 195,6% em um ano.

Esse crescimento ajuda a enfrentar uma das principais preocupações de quem considera comprar um carro elétrico: a disponibilidade de locais para recarregar o veículo durante uma viagem.

Apesar dos avanços, a infraestrutura brasileira ainda precisa crescer para acompanhar o aumento da frota. Atualmente, a relação é de aproximadamente 21,4 veículos plug-in para cada ponto de recarga público ou semipúblico.

A expansão dos eletrificados também pode ser observada no ranking de veículos mais vendidos. Em setembro, o BYD Dolphin Mini, um modelo totalmente elétrico, apareceu entre os três carros mais emplacados do Brasil, com 9.385 unidades.

O resultado chama atenção porque demonstra que um veículo elétrico já consegue competir em volume de vendas com modelos tradicionais equipados com motores a combustão.

A participação crescente dos carros eletrificados também está alterando a disputa entre as próprias montadoras. As marcas chinesas ganharam espaço rapidamente no mercado brasileiro e chegaram a representar 21,4% das vendas de veículos em setembro de 2026.

Em setembro de 2025, essas marcas representavam 10,1% do mercado. Ou seja, a participação mais que dobrou em apenas um ano, evidenciando a velocidade com que novos fabricantes estão conquistando consumidores brasileiros.

A BYD ocupa posição de destaque nesse movimento e lidera entre os veículos totalmente elétricos. A empresa também possui modelos híbridos e ampliou significativamente sua presença no mercado nacional.

A GWM é outra fabricante chinesa que vem crescendo no Brasil, especialmente com modelos híbridos. O avanço dessas empresas aumenta a concorrência e pressiona as montadoras tradicionais a acelerarem seus próprios programas de eletrificação.

Para o consumidor, o aumento da concorrência pode significar mais opções e diferentes faixas de preço. Também tende a estimular investimentos em tecnologia, autonomia, eficiência energética e equipamentos.

A mudança, entretanto, não significa que os veículos exclusivamente a gasolina desaparecerão rapidamente. Esses modelos ainda possuem uma participação importante nas vendas e continuam sendo uma opção relevante para milhões de consumidores.

Além disso, no Brasil existe uma particularidade importante: o uso de etanol e de motores flex. Dessa forma, parte dos veículos classificados como modelos tradicionais não depende exclusivamente da gasolina, podendo utilizar também etanol.

Mesmo assim, a tendência internacional indica uma redução gradual da participação dos veículos que utilizam exclusivamente combustíveis fósseis.

A transformação do mercado também está relacionada às políticas ambientais adotadas por diferentes países. Governos e órgãos reguladores têm estabelecido metas de redução de emissões e criado incentivos para tecnologias de menor impacto ambiental.

As montadoras, por sua vez, vêm adaptando suas estratégias para atender a essas novas exigências e às mudanças no comportamento dos consumidores.

Outro fator que influencia essa transformação é o avanço tecnológico. As baterias estão evoluindo, permitindo maior autonomia e tempos de recarga menores. Ao mesmo tempo, novos sistemas híbridos procuram combinar eficiência energética e praticidade.

No Brasil, os modelos híbridos flex ganham atenção justamente por combinar eletrificação com a possibilidade de utilizar combustíveis já amplamente disponíveis no país.

A tendência é que a variedade de tecnologias continue aumentando nos próximos anos. O consumidor poderá encontrar veículos totalmente elétricos, híbridos convencionais, híbridos plug-in, híbridos leves e modelos com diferentes combinações entre eletricidade e combustão.

Esse cenário deve tornar a decisão de compra mais complexa, mas também oferecer mais alternativas.

Os dados atuais deixam claro que a eletrificação deixou de ser um segmento restrito ou experimental e passou a ocupar uma posição relevante no mercado automotivo. No Brasil, chegar a quase 20% das vendas representa uma mudança significativa no comportamento do consumidor.

A infraestrutura de recarga, a expansão das marcas, a chegada de novos modelos e a maior variedade de preços devem continuar influenciando esse processo.

Ao mesmo tempo, os veículos a combustão ainda terão presença significativa durante muitos anos. A transição será gradual e deverá ocorrer de maneira diferente em cada país, dependendo da infraestrutura, do preço dos veículos, da disponibilidade de energia e das condições econômicas dos consumidores.

O que já está claro, porém, é que o mercado automobilístico mundial não é mais dominado da mesma maneira pelos carros exclusivamente a gasolina. Em poucos anos, a participação desses modelos caiu de forma expressiva, enquanto os eletrificados passaram a ocupar uma parcela crescente das vendas.

No Brasil, essa transformação já chegou às ruas e às concessionárias. Com quase um em cada cinco veículos vendidos pertencendo à categoria dos eletrificados, o país começa a entrar em uma nova fase do mercado automotivo.

A evolução dos próximos anos deverá determinar a velocidade dessa transição e o espaço que cada tecnologia terá nas escolhas dos consumidores.

Ana Carolina