A Polícia Federal investiga movimentações financeiras de aproximadamente R$ 130 milhões realizadas em apenas três meses por uma conta bancária vinculada ao advogado e empresário Willer Tomaz, que mantém uma relação de proximidade com o senador Flávio Bolsonaro (PL). O caso envolve suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas e está sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil, as movimentações ocorreram entre março e maio de 2025. Para os investigadores, o volume financeiro registrado no período chamou a atenção por apresentar aparente incompatibilidade com as atividades econômicas conhecidas do advogado.
A apuração busca esclarecer a origem dos recursos, identificar seus destinatários e verificar se as operações possuem justificativa econômica legítima. O relatório da Polícia Federal também levanta questionamentos sobre a estrutura de empresas relacionadas ao investigado, que, segundo os investigadores, aparentemente não seria compatível com a quantidade de dinheiro movimentada.
De acordo com a investigação, existe a suspeita de que estruturas empresariais possam ter sido utilizadas para dificultar o rastreamento da origem e do destino dos recursos. Essa hipótese ainda precisa ser esclarecida por meio da análise de documentos, registros bancários e outras evidências reunidas pelas autoridades.
O caso tramita no Supremo Tribunal Federal, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. A Procuradoria-Geral da República manifestou-se favoravelmente à abertura do inquérito e ao aprofundamento das apurações.
Outro ponto investigado envolve movimentações financeiras relacionadas ao mercado de apostas esportivas. A Polícia Federal analisa operações que teriam alcançado R$ 35 milhões em plataformas do setor, além de saques realizados em casas de apostas no exterior.
Os investigadores também apuram possíveis irregularidades relacionadas à Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj), incluindo questionamentos sobre uma licitação vencida pela empresa Pixs.
A proximidade entre Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro também passou a integrar a investigação. Segundo a reportagem, arquivos digitais obtidos pelos investigadores contêm fotografias e registros que indicam encontros, reuniões e viagens envolvendo os dois.
A PF também identificou comunicações bancárias relacionadas ao escritório de advocacia de Tomaz que levantaram a hipótese de que o senador e o advogado poderiam ter compartilhado uma conta bancária.
A assessoria de Flávio Bolsonaro negou a existência de uma conta conjunta. Willer Tomaz também contestou a informação e afirmou que ela não corresponde à verdade.
A investigação procura esclarecer se havia algum vínculo financeiro entre os dois e, caso existisse, qual seria sua natureza. A simples relação de amizade ou proximidade, por si só, não comprova a participação em qualquer irregularidade.
Em manifestação pública, Willer Tomaz questionou a divulgação de informações sobre a investigação durante o período eleitoral. Ele alegou que o vazamento poderia ter motivação política e negou a existência de movimentações financeiras irregulares relacionadas a empresas de apostas.
O advogado também afirmou que não houve circulação de recursos com empresas do setor de apostas, contestando as suspeitas apresentadas.
As declarações fazem parte da defesa do investigado, enquanto a Polícia Federal continua reunindo informações para esclarecer as operações financeiras.
O caso reúne diferentes linhas de investigação, envolvendo movimentações bancárias, empresas relacionadas ao advogado, plataformas de apostas e possíveis irregularidades em procedimentos ligados à Loterj.
O objetivo das autoridades é determinar a origem e o destino dos valores, verificar a existência de eventuais crimes e identificar a responsabilidade individual dos envolvidos.
Até que as investigações sejam concluídas, as suspeitas não devem ser tratadas como fatos comprovados. O esclarecimento do caso dependerá das provas reunidas e das decisões das autoridades competentes.





