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Flávio Bolsonaro recebe autorização para ficar nos EUA por um ano

Flávio Bolsonaro e família recebem autorização para ficar nos EUA por um ano

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), sua esposa e suas filhas receberam autorização do governo dos Estados Unidos para permanecer temporariamente no país por até um ano. A informação foi divulgada pela CNN Brasil nesta quinta-feira (29), com base em registros das autoridades americanas de controle migratório.

De acordo com os documentos consultados pela emissora, a autorização tem validade prevista até outubro de 2027 e foi concedida por meio de uma modalidade especial de admissão temporária, utilizada em situações específicas, que podem incluir razões humanitárias urgentes.

A medida permite que o senador e seus familiares permaneçam legalmente em território americano durante o período estabelecido pelas autoridades migratórias, desde que sejam respeitadas as condições aplicáveis à autorização.

A concessão ocorre após a chegada da família a Miami, na Flórida, na quarta-feira (28), em meio à repercussão política da saída do parlamentar do Brasil.

Segundo a CNN Brasil, os registros disponíveis no sistema da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP) indicam que Flávio Bolsonaro, sua esposa e pelo menos uma de suas filhas receberam autorização identificada pela categoria “DT”.

Essa classificação corresponde ao chamado Discretionary Parole, mecanismo que permite ao governo americano autorizar, de maneira temporária e individualizada, a entrada e a permanência de estrangeiros no país.

A modalidade é administrada pelo Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) e pode ser utilizada em circunstâncias específicas, incluindo situações humanitárias urgentes ou casos considerados de benefício público relevante.

Diferentemente de um visto tradicional, essa autorização não representa uma admissão migratória definitiva. Trata-se de uma permissão temporária, concedida conforme a avaliação das autoridades americanas e limitada ao prazo estabelecido no documento.

No caso de Flávio Bolsonaro e de seus familiares, os registros apontam que a permanência poderá se estender até outubro de 2027.

A autorização também não equivale à concessão de residência permanente nem garante automaticamente a possibilidade de permanecer no país depois do vencimento. Eventuais prorrogações ou mudanças de situação migratória dependerão das regras americanas e de novas decisões das autoridades competentes.

A legislação dos Estados Unidos permite que as autoridades migratórias analisem pedidos de autorização temporária considerando diferentes fatores.

Entre os aspectos que podem ser avaliados estão o histórico do solicitante, eventuais antecedentes criminais ou violações das regras de imigração, possíveis impactos sobre a segurança nacional e a existência de condições financeiras para a permanência no país.

Nos casos apresentados como humanitários, também podem ser consideradas a urgência da situação, as consequências de uma eventual negativa e o grau de vulnerabilidade da pessoa que solicita a autorização.

A concessão desse tipo de permissão não significa, necessariamente, que o beneficiário tenha recebido um visto convencional ou que tenha adquirido um novo status migratório permanente.

Até a publicação da reportagem da CNN Brasil, as autoridades americanas ainda não haviam apresentado esclarecimentos públicos detalhados sobre os motivos específicos que levaram à concessão da autorização a Flávio e seus familiares.

A emissora informou que procurou os órgãos responsáveis nos Estados Unidos para obter mais informações sobre o procedimento.

A chegada de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos ocorreu em um contexto de questionamentos jurídicos no Brasil.

Antes da viagem, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia determinado que o senador entregasse seus passaportes à Polícia Federal. A medida foi tomada após preocupações sobre a possibilidade de o parlamentar deixar o país.

Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil, os passaportes comum e diplomático do senador foram cancelados depois que a determinação judicial não foi cumprida.

Apesar disso, os registros das autoridades americanas indicam que Flávio apresentou documentos de viagem ao entrar nos Estados Unidos, incluindo seu passaporte diplomático e o passaporte pessoal.

O episódio levantou questionamentos sobre a utilização dos documentos e sobre a forma como a entrada foi processada pelas autoridades migratórias americanas.

É importante destacar que a autorização concedida pelos Estados Unidos diz respeito à admissão temporária em território americano. Ela não elimina, por si só, eventuais questões jurídicas existentes no Brasil nem substitui decisões que possam ser tomadas pelas autoridades brasileiras.

As circunstâncias da viagem e as possíveis consequências relacionadas às determinações judiciais precisam ser analisadas separadamente, conforme a legislação aplicável.

Antes de chegar a Miami, Flávio Bolsonaro viajou com a esposa, Fernanda Bolsonaro, e as duas filhas, passando pela Argentina e pelo Equador.

Segundo informações da CNN Brasil, o senador atravessou a fronteira entre Foz do Iguaçu, no Paraná, e Puerto Iguazú, na Argentina, na noite de terça-feira (27).

De acordo com as autoridades migratórias argentinas, a entrada no país ocorreu por volta das 22h50, e os integrantes da família apresentaram documentos de viagem considerados válidos para a entrada em território argentino.

A reportagem também informou que Flávio utilizou seu passaporte italiano na Argentina. A esposa e uma das filhas utilizaram passaportes brasileiros, enquanto a outra filha apresentou documento de identidade.

Após a travessia da fronteira, a família embarcou em uma aeronave particular com destino informado a Guayaquil, no Equador. De lá, seguiu para Miami, onde desembarcou na manhã de quarta-feira.

O trajeto passou a ser acompanhado de perto depois que a saída do senador provocou questionamentos entre integrantes de seu partido e autoridades brasileiras.

O episódio envolve questões distintas, incluindo a forma como a viagem foi organizada, a utilização dos documentos apresentados na fronteira e as consequências de eventuais descumprimentos de determinações judiciais brasileiras.

A autorização americana não deve ser interpretada, isoladamente, como uma decisão sobre as investigações em andamento no Brasil. Os procedimentos de imigração dos Estados Unidos e os processos judiciais brasileiros possuem finalidades diferentes e seguem regras próprias.

Também não há elementos suficientes para afirmar que a permissão tenha sido concedida em razão de uma decisão judicial brasileira ou que represente qualquer reconhecimento das alegações políticas feitas pelo senador.

O alcance da autorização é limitado ao direito temporário de permanecer nos Estados Unidos nas condições estabelecidas pelas autoridades daquele país.

Com a autorização válida até outubro de 2027, Flávio Bolsonaro e sua família poderão permanecer nos Estados Unidos durante o período indicado nos registros migratórios, sujeito às condições da permissão e às regras aplicáveis.

Caso pretendam continuar no país depois desse prazo, será necessário observar os procedimentos previstos pela legislação americana para eventual prorrogação ou mudança de situação migratória.

No Brasil, os desdobramentos dependerão das decisões das autoridades responsáveis pelos procedimentos envolvendo o senador e das informações que forem reunidas sobre a viagem.

A repercussão do caso também mantém o episódio no centro do debate político nacional, especialmente por envolver um senador da República, a atuação do Supremo Tribunal Federal e a relação entre as autoridades brasileiras e americanas.

Por enquanto, o dado confirmado pelos registros citados pela CNN Brasil é que Flávio Bolsonaro e familiares receberam autorização temporária para permanecer nos Estados Unidos por até um ano, com vencimento previsto para outubro de 2027. Os motivos específicos para a concessão ainda não haviam sido detalhados publicamente pelas autoridades americanas.

Ana Carolina