A defesa do empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, voltou a pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) pela revogação de sua prisão preventiva. Na terça-feira (3), os advogados Sérgio Leonardo e Engel Muniz participaram de uma reunião com um juiz auxiliar do gabinete do presidente da Corte, ministro Edson Fachin, para apresentar argumentos em favor da liberdade do investigado.
Durante o encontro, os representantes jurídicos questionaram o tempo de duração da prisão e afirmaram que não existem motivos suficientes para manter Vorcaro detido preventivamente. A defesa também cobrou uma resposta para os pedidos apresentados anteriormente ao Supremo, que, segundo os advogados, continuam aguardando análise.
Um dos principais argumentos apresentados está relacionado ao prazo de revisão das prisões preventivas. De acordo com Sérgio Leonardo, o período de 90 dias previsto na legislação para a reavaliação da necessidade da medida teria vencido em 31 de agosto, sem que houvesse uma nova decisão fundamentada sobre a continuidade da prisão.
Os advogados sustentam que a manutenção da custódia, sem a devida reavaliação, representa um excesso de prazo e compromete as garantias legais do investigado. Para a defesa, Vorcaro deveria aguardar o andamento das investigações em liberdade, podendo cumprir medidas cautelares alternativas caso o Judiciário considere necessário.
A equipe jurídica também destacou que ainda não havia sido apresentada denúncia formal contra o empresário até o momento da reunião. Na avaliação dos defensores, o fato de a investigação continuar em andamento não seria suficiente, por si só, para justificar a permanência da prisão preventiva.
Outro ponto levado ao gabinete de Fachin envolve o recente indiciamento de Vorcaro pela Polícia Federal. A defesa classificou o procedimento como precipitado e questionou a consistência de elementos utilizados pelos investigadores. É importante destacar que o indiciamento representa uma conclusão da autoridade policial sobre a existência de indícios de envolvimento em crimes, mas não equivale a uma condenação judicial.
Além da discussão sobre o prazo da prisão, os advogados apresentaram questionamentos relacionados às provas extraídas do telefone celular de Daniel Vorcaro.
Segundo a defesa, um laudo anexado ao processo apontaria indícios de possíveis irregularidades na obtenção dos dados armazenados no aparelho. Diante disso, os representantes do empresário solicitaram a realização de uma perícia oficial e o acesso integral aos dados brutos da extração, para que seja possível verificar a origem, a integridade e a legalidade das informações utilizadas na investigação.
A intenção é permitir uma análise técnica independente do material, especialmente diante da importância das provas digitais para o desenvolvimento do chamado Caso Master.
Os advogados afirmam que já haviam solicitado essas providências anteriormente, mas ainda aguardam uma resposta definitiva sobre os pedidos.
Durante a reunião, a equipe jurídica também mencionou decisões do ministro André Mendonça relacionadas à Operação Sem Desconto. Segundo os advogados, existem situações semelhantes nas quais investigados conseguiram responder aos procedimentos em liberdade, e esse entendimento deveria ser considerado na análise do caso de Vorcaro.
Outro movimento adotado pela defesa foi o acionamento da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão ligado à Organização dos Estados Americanos (OEA).
Os advogados alegam que houve violações de garantias fundamentais durante a tramitação do processo, especialmente em razão da demora na análise dos pedidos relacionados à liberdade do empresário e das questões envolvendo a condução das investigações.
A iniciativa internacional amplia a discussão jurídica para além do Judiciário brasileiro. Entretanto, a apresentação de uma representação à CIDH não significa que o órgão tenha reconhecido as alegações da defesa ou determinado a libertação do investigado.
Após o encontro, os representantes de Vorcaro demonstraram expectativa de que o Supremo analise o pedido de revogação da prisão em um prazo mais curto.
Segundo a defesa, o gabinete de Edson Fachin assumiu o compromisso de examinar a solicitação com rapidez. Os advogados esperam uma decisão antes que a prisão complete um novo ciclo de 90 dias, previsto para o final de novembro.
O pedido de liberdade foi apresentado em 18 de setembro e permanece pendente de decisão, conforme relatado pela equipe jurídica.
Daniel Vorcaro está preso preventivamente desde 4 de março de 2026. Antes disso, já havia sofrido restrições à liberdade em razão das investigações. A defesa considera que o tempo de prisão e a ausência de uma denúncia formal reforçam a necessidade de reavaliar a medida.
O empresário é investigado em um conjunto de apurações envolvendo operações financeiras do Banco Master e negociações com o Banco de Brasília (BRB).
A Polícia Federal concluiu uma etapa da investigação que resultou no indiciamento de Vorcaro e outras 14 pessoas. Os investigadores apontam suspeitas de crimes como gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e organização criminosa, relacionadas a operações com carteiras de crédito consideradas fictícias, em negociações que chegaram a R$ 12,2 bilhões.
De acordo com as conclusões policiais, Vorcaro teria desempenhado papel central nas operações investigadas. A defesa, por sua vez, contesta aspectos da investigação e questiona a validade de determinadas provas.
O caso continua sendo acompanhado pelo Supremo Tribunal Federal, em meio a discussões sobre a condução dos procedimentos, a competência para análise dos processos e os pedidos apresentados pelos investigados.
A reunião com um representante do gabinete de Fachin representa mais uma tentativa da defesa de acelerar a análise da situação prisional do ex-controlador do Banco Master.
Por enquanto, não há decisão confirmando a soltura de Daniel Vorcaro. A definição dependerá da avaliação do Supremo Tribunal Federal sobre os argumentos apresentados pelos advogados e os fundamentos que sustentam a prisão preventiva.





